Hoje, dia 31 de outubro, celebramos o Halloween, o Dia das Bruxas, com fantasias, travessuras e talvez alguns sustos. Mas existe um “mal” muito mais comum e silencioso, que não precisa de noite de lua cheia para se manifestar e afeta milhões de brasileiros: o bruxismo.
Você já acordou com a mandíbula dolorida, uma sensação estranha de cansaço facial ou até uma dor de cabeça que parece não ter motivo?
Imagine a seguinte cena: É segunda-feira. Você passa o dia lidando com prazos apertados e a pressão de um novo projeto. À noite, mal consegue relaxar. No dia seguinte, acorda com o pescoço duro e uma dor na lateral do rosto que insiste em se manifestar. Então, você toma um analgésico e segue a rotina. Com o tempo, percebe que seus dentes da frente parecem um pouco mais curtos, mas atribui isso ao envelhecimento. Pois bem, você não faz ideia, mas existe algo se manifestando em sua boca todas as noites, ou até mesmo durante o dia.
Essa é a realidade de muitos que sofrem de bruxismo e nem sabem. É um problema real de saúde, frequentemente impulsionado pelo estresse e pela ansiedade da vida moderna.
O que é bruxismo? A atividade muscular involuntária que causa desgaste dentário
O bruxismo é definido como uma atividade repetitiva dos músculos da mastigação, caracterizada por:
- Apertamento dentário (Clenching): Forçar os dentes superiores contra os inferiores com intensidade.
- Ranger dentário (Grinding): Friccionar os dentes uns contra os outros, muitas vezes produzindo um som perceptível.
É crucial entender que o bruxismo não é uma única doença, mas sim uma manifestação que pode ocorrer de duas formas principais, afetando cerca de 30% da população mundial e até 40% dos brasileiros, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os dois lados do bruxismo: Sono vs. vigília
- Bruxismo do sono (Noturno): É a forma mais conhecida, caracterizada pela atividade rítmica dos músculos da mastigação durante o sono. A pessoa não tem controle e, muitas vezes, só descobre por relato de parceiros ou pelo dentista. É classificado como um distúrbio de movimento relacionado ao sono.
- Bruxismo em vigília (Diurno): Ocorre quando a pessoa está acordada, mas é uma atividade semi-voluntária ou inconsciente. É geralmente o ato de apenas apertar os dentes, sem o ranger (fricção), e está frequentemente relacionado a momentos de concentração intensa ou alta tensão emocional.
Importante: Para o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e especialista em Periodontia que assina o Crool by Rios, “É comum que o paciente chegue ao consultório sem saber que tem bruxismo. O diagnóstico, muitas vezes, é feito a partir dos sinais que observamos: o desgaste dos dentes, as lesões nas bochechas ou na língua e, principalmente, o relato de dores de cabeça ou na face. Por isso, a avaliação odontológica regular é o primeiro passo para ‘desmascarar’ esse problema.”
Sintomas do bruxismo
O diagnóstico de bruxismo é essencialmente clínico e baseado nos sinais e sintomas relatados. Então, se você suspeita ter a condição, atente-se a esta lista:
- Desgaste dentário (Atrito): Redução do tamanho dos dentes, bordas incisais irregulares ou fraturas dentárias sem causa aparente.
- Hipersensibilidade dentinária: Dores agudas ao consumir alimentos ou bebidas quentes, frias ou doces, devido à exposição da dentina pelo desgaste do esmalte.
- Dor orofacial e cefaleia: Dores de cabeça frequentes, especialmente ao acordar (tipo tensão), e dor nos músculos da face e da mandíbula.
- Disfunção da ATM (Articulação Temporomandibular): Sensação de cansaço ou dor na região do ouvido, estalos ou dificuldade para abrir e fechar a boca.
- Hipertrofia muscular: O músculo masseter (principal músculo da mastigação) pode ficar mais forte e volumoso devido ao esforço excessivo, alterando sutilmente o contorno facial.
Ansiedade, estresse e outros fatores psicológicos
Se a etiologia do bruxismo ainda é considerada multifatorial (ou seja, tem várias causas), a relação com a saúde mental é uma das mais bem estabelecidas e comprovadas. O aumento dos casos durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, demonstrou como a tensão externa se manifesta internamente.
Por que a ansiedade aperta?
O estresse, a ansiedade, a depressão e o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) são fatores psicológicos que elevam a tensão muscular do corpo, incluindo os músculos mastigatórios. O apertamento ou ranger de dentes se torna uma forma inconsciente de “descarga” ou reação a esse estado de hipervigilância ou nervosismo.
Estudos confirmam que:
- Pacientes com altos níveis de ansiedade-traço (uma característica da personalidade) e estresse são significativamente mais propensos a relatar bruxismo, tanto em vigília quanto durante o sono.
- Traços de personalidade como compulsividade, controle excessivo e agressividade também podem aumentar a vulnerabilidade ao desenvolvimento da parafunção.
Para o Dr. Rios, “Essa conexão é o que nos faz insistir na abordagem multidisciplinar. Tratar apenas o dente desgastado é como enxugar gelo. No Crool, reconhecemos a complexidade da relação entre mente e boca. Nossos profissionais são treinados para identificar manifestações bucais que podem sinalizar transtornos mentais, encaminhando o paciente para uma abordagem multidisciplinar, quando necessário. Não tratamos o estresse, mas tratamos seus efeitos na boca e oferecemos a ponte para o cuidado completo.”
Como tratar e controlar o bruxismo
Não existe uma “cura” definitiva para o bruxismo, pois sua causa é complexa. O objetivo do tratamento é controlar os sintomas, prevenir danos irreversíveis aos dentes e articulações e melhorar a qualidade de vida. O tratamento deve ser sempre individualizado, mas geralmente inclui:
1. Proteção dentária e articular
Placas oclusais ou placas de mordida são dispositivos de acrílico rígido, feitos sob medida, que se encaixam sobre os dentes. Elas não impedem o ranger, mas protegem a superfície dos dentes contra o desgaste e ajudam a relaxar a musculatura mastigatória, aliviando a tensão da ATM. É um dos tratamentos mais comuns e eficazes para o bruxismo do sono.
2. Terapia comportamental e de relaxamento
Para o bruxismo de vigília, vale aprender a monitorar a posição da mandíbula durante o dia para evitar o apertamento. Em suma, a recomendação é manter a “boca em repouso”, com os dentes levemente separados. Além disso, técnicas de relaxamento, meditação, ioga, exercícios físicos e, em muitos casos, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico são fundamentais para reduzir a principal causa-raiz. Outra dica importante é reduzir o uso de telas antes de dormir, evitar cafeína e álcool à noite e manter uma rotina de sono regular.
3. Outras terapias (quando necessário)
Assim como sempre frisamos por aqui, cada caso é único e, por isso, algumas terapias alternativas podem ser necessárias. Só para ilustrar, podemos citar a fisioterapia orofacial, que envolver exercícios específicos para alongar e relaxar os músculos da face e pescoço, e o botox em casos de hipertrofia muscular severa e dor crônica. Embora se fale mais da toxina botulínica para a estética, ela também pode ser aplicada nos músculos mastigatórios para reduzir sua força excessiva.
O Dr. José Antônio Rios enfatiza: “A melhor forma de identificar e tratar o bruxismo é através de um acompanhamento odontológico regular e detalhado. Não espere sentir dor ou ter desgastes visíveis. No Crool by Rios, realizamos uma avaliação completa da saúde bucal, incluindo a análise da ATM e da musculatura facial, que vai além da simples profilaxia. Agende sua consulta e comece a proteger o seu sorriso e o seu bem-estar.”
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