Homem com uma expressão confusa enquanto morde um alho.

Alho como enxaguante bucal? Conheça o estudo que propõe essa alternativa

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O universo da odontologia é focado na saúde da sua boca. Até aqui, tudo bem. Contudo, ele também está em constante diálogo com as novidades científicas e a busca por soluções mais naturais e sustentáveis. Recentemente, uma notícia migrou da bancada da ciência para a mesa de jantar. Veja só: o alho, nosso velho conhecido da cozinha, está sendo estudado como um potencial componente para enxaguantes bucais.

Pois é, a matéria, veiculada pelo portal Metrópoles, traz à tona uma pesquisa empolgante. Esse estudo sugere que o extrato de alho pode ter uma eficácia semelhante à de antissépticos tradicionais como a clorexidina. Mas será que o “bafo de alho” é um preço justo a se pagar por um sorriso mais saudável?

O alho muito além da culinária

Antes de ser um potencial componente do seu próximo enxaguante bucal, o alho (Allium sativum) já era um protagonista no campo da medicina. E, olha, as propriedades medicinais do alho não são uma descoberta recente. Na verdade, elas vêm sendo documentadas há milênios.

Assim como apresentado pela Folha de S.Paulo, o alho possui uma história muito interessante. A autora Robin Cherry, em seu livro Garlic: An Edible Biography, aponta que a menção mais antiga ao alho, datada de cerca de 3.500 anos, está registrada no papiro de Ebers, um dos mais importantes documentos médicos do Antigo Egito. Esse papiro detalha o uso do alho para tratar de parasitas a problemas cardíacos e respiratórios.

Porém, não para por aí. O pai da medicina, o grego Hipócrates (c.460 a.C. – c.370 a.C.), utilizava o alho em uma série de tratamentos. Além disso, outros pensadores e escritores de destaque, como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Aristófanes (c.446 a.C.-c. 386 a.C.), também fizeram referência às suas qualidades curativas.

Essa longa história de uso tem uma explicação científica. O alho é rico em compostos sulfurados, sendo a alicina o principal responsável por seu odor característico e suas poderosíssimas ações antimicrobianas e antivirais. É por isso que, até hoje, ele é usado em remédios caseiros, principalmente para aliviar sintomas de resfriado.

A ciência e as propriedades antimicrobianas do alho

Trazendo para o contexto atual, diversos estudos têm validado as propriedades do alho. Uma pesquisa de 2014, realizada na Universidade de Sydney, na Austrália, por exemplo, confirmou suas fortes capacidades antimicrobianas, antivirais e antifúngicas.

No entanto, a relação com a saúde bucal ganhou um novo e importante capítulo com o estudo da Universidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, publicado na Revista de Medicina Herbal.

O estudo do alho e da clorexidina

O que a pesquisa da Universidade de Sharjah fez foi testar o extrato de alho contra as bactérias que colonizam a nossa boca. Os resultados foram surpreendentes:

O estudo indicou que o extrato de alho apresenta uma ação antimicrobiana comparável à de antissépticos tradicionais usados em enxaguantes bucais, como a clorexidina.

Mas o que isso significa na prática?

A clorexidina é um padrão-ouro na odontologia, usada em tratamentos específicos por sua capacidade de desorganizar a placa bacteriana e eliminar microrganismos. O potencial do alho como enxaguante bucal sugere uma alternativa natural para o tratamento ou prevenção de condições como:

Para o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e especialista em Periodontia do Crool by Rios, essa descoberta deve ser vista com otimismo, mas cautela:

“A microbiota oral é um ecossistema delicado e equilibrado. A eficácia de substâncias como o alho, ricas em alicina, está em sua capacidade de ‘lutar’ contra patógenos. No entanto, higienizar a boca de forma alguma significa esterilizá-la. A beleza de um potencial enxaguante bucal natural está em oferecer uma ferramenta poderosa com menos efeitos colaterais de longo prazo, mas isso exige validação rigorosa.”

Lidando com o odor do alho

É inegável: o alho tem um cheiro forte, e é justamente por isso que o popular “bafo de alho” é uma das maiores preocupações ao consumir o alimento. É uma ironia que um potencial agente de combate à halitose possa, inicialmente, causar um odor desagradável.

No entanto, os próprios autores do estudo de Sharjah comentaram que, embora um enxaguante bucal à base de alho possa, sim, causar mais desconforto no momento do uso, seus efeitos residuais (antimicrobianos) parecem durar mais tempo do que os enxaguantes tradicionais. Em outras palavras: a briga com as bactérias pode ser tão eficiente que o benefício de longo prazo compensa o incômodo momentâneo.

Considerações sobre essa pesquisa

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores são os primeiros a reconhecer uma limitação crucial: grande parte dos estudos publicados até agora é realizada in vitro (em laboratório) e carece de padronização para confirmar a real eficácia do extrato de alho em humanos e, mais importante, entender se ele pode, de fato, ocupar o lugar da clorexidina em alguns tratamentos.

O uso da clorexidina, por exemplo, é controlado, pois seu uso prolongado pode causar manchas nos dentes e alteração no paladar. Um enxaguante bucal de alho poderia oferecer um ciclo de tratamento com menos efeitos colaterais, mas a segurança e a dosagem ainda precisam ser testadas em ensaios clínicos robustos.

No Crool by Rios, nós valorizamos o conhecimento científico em sua máxima expressão. Segundo o Dr. Rios:

“Em nossa prática clínica, a prevenção é o foco. A busca por alternativas naturais e eficazes é vital. Contudo, qualquer recomendação de uso de um novo produto, seja ele sintético ou natural como o alho, deve ser baseada em evidências científicas sólidas que garantam a segurança e a dosagem correta para o paciente. Por enquanto, o alho é uma promessa fascinante, mas não um substituto para os métodos de higiene já estabelecidos.”

A importância do enxaguante bucal 

Independentemente do futuro do alho na sua prateleira do banheiro, é fundamental entender o papel do enxaguante bucal na saúde oral.

O enxaguante bucal é um adjuvante no processo de higiene. Ele não substitui a dupla insubstituível: escova de dente + fio dental. Contudo, seu uso é recomendado principalmente para:

  1. Reforçar o combate à placa: Atingindo áreas onde a escova e o fio dental têm dificuldade, especialmente em casos de doença periodontal ou pós-cirurgia.

  2. Controlar a halitose: Combater bactérias que causam o mau hálito.

  3. Entrega de substâncias ativas: Como flúor (para remineralização) ou clorexidina (para ação antisséptica intensa em tratamentos específicos).

Guia rápido para o uso correto:

  • Não enxágue com água: Após o bochecho com enxaguante, evite enxaguar a boca com água. Isso permite que os componentes ativos permaneçam por mais tempo na boca.

  • Siga a indicação: O enxaguante bucal ideal varia. Enxaguantes com flúor são ótimos para prevenção de cáries, enquanto os antissépticos (como os com clorexidina) são para uso temporário, sob orientação do dentista.

Seu sorriso é nossa prioridade no Crool by Rios

A pesquisa sobre o alho como enxaguante bucal é um reflexo do quanto a ciência está sempre em busca de soluções melhores e mais naturais para o cuidado com a boca. No entanto, a base de um sorriso saudável permanece a mesma: higiene bucal rigorosa e acompanhamento profissional.

No Crool by Rios, reconhecemos a complexidade do ecossistema oral. Nossa abordagem é sempre profilática e personalizada. Se você busca um atendimento que alie a tradição de resultados com a constante atualização científica, ou precisa de orientações sobre o uso correto de enxaguantes bucais e demais métodos de higiene, nossa equipe está pronta para te receber. Tratamento odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

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