Homem com dente inflamado.

Seu DNA explica a dor? A ciência por trás do dente inflamado

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A dor de dente é um incômodo universal. Quem nunca sofreu com a sensibilidade ao morder, mastigar ou tomar algo gelado? No entanto, quando essa dor se torna crônica, persistindo em um dente inflamado mesmo após um tratamento, a frustração é enorme.

Pois bem, você não está sozinho nessa dúvida. Muita gente foi ao Google atrás de respostas para “inflamação raiz dente genética”, “periodontite apical persistente causas” e “inflamação dentária crônica tratamento” e nós estamos aqui para oferecê-las.

Antes de tudo, essas pesquisas nos levam a uma condição específica, a Periodontite Apical Persistente (PAP), uma inflamação crônica na ponta da raiz do dente (periápice) que, em 10% a 15% dos casos, resiste ao tratamento de canal (endodôntico). Agora, a ciência aponta para uma razão surpreendente para essa persistência: o seu DNA.

A descoberta da USP sobre a Periodontite Apical Persistente (PAP)

Recentemente, pesquisadores do Laboratório de Pesquisa em Endodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, sob a coordenação do professor Manoel Damião Sousa Neto, trouxeram uma notícia revolucionária para a odontologia: pequenas variações genéticas, chamadas de polimorfismos genéticos, podem explicar a suscetibilidade individual à PAP.

A descoberta, que contou com a participação do professor Igor Bassi Ferreira Petean e foi publicada na revista Archives of Oral Biology, ajuda a entender por que alguns indivíduos alcançam a cicatrização completa, enquanto outros continuam com a inflamação, mesmo após um procedimento odontológico tecnicamente impecável.

O que é a Periodontite Apical?

A periodontite apical surge, geralmente, quando uma cárie profunda ou um trauma levam à necrose da polpa dental. As bactérias atingem o canal radicular, causando infecção no osso ao redor da raiz. O tratamento padrão é a Endodontia (o famoso “tratamento de canal”), que remove a polpa comprometida e sela o espaço.

No entanto, quando a inflamação persiste (a PAP), significa que o organismo não está conseguindo debelar totalmente o problema, e é aí que a genética entra em jogo.

Genes de inflamação e metabolismo ósseo no foco

Os pesquisadores focaram em dois grupos de genes:

  1. Genes ligados ao controle da inflamação: Essenciais na regulação da intensidade da resposta imunológica.

  2. Genes ligados ao metabolismo ósseo: Fundamentais para a remodelação do osso que suporta a raiz do dente.

O estudo analisou 423 brasileiros que passaram por tratamento de canal e comparou aqueles que cicatrizaram (251) com os que desenvolveram PAP (172). Os achados mostraram que dois polimorfismos específicos estavam associados ao menor risco de persistência da inflamação:

  • Alelo A no gene TNF-α: Este alelo foi associado a níveis reduzidos de citocina, proteínas mensageiras do sistema imunológico. Menos citocinas resultam em uma resposta inflamatória mais atenuada, favorecendo a cicatrização.

  • Genótipo TT no gene RANKL: Este genótipo indica que o indivíduo possui duas cópias idênticas do alelo T, o que está ligado a uma regulação mais equilibrada da remodelação óssea.

Em outras palavras, essas variantes genéticas parecem exercer um efeito protetor, favorecendo o reparo dos tecidos após o tratamento.

Benefícios da descoberta e a odontologia de precisão

Essa pesquisa é um marco. Ela reforça a ideia, como bem pontua o professor Petean, que a suscetibilidade à PAP não é apenas técnica ou microbiológica, mas também depende da complexa interação entre genes de resposta inflamatória e metabolismo ósseo.

Futuro personalizado: Diagnóstico e tratamento

1. Identificação de risco: A principal vantagem é que, futuramente, marcadores genéticos poderão ajudar a identificar pacientes com maior ou menor suscetibilidade ao insucesso do tratamento.

2. Terapias adjuvantes: Para quem possui os polimorfismos de risco, seria possível implementar estratégias personalizadas de acompanhamento clínico e terapias adjuvantes, focadas em modular os mediadores inflamatórios ou o metabolismo ósseo.

3. Odontologia de Precisão: A equipe da USP está trabalhando no desenvolvimento de modelos preditivos que combinem dados clínicos, radiográficos e genômicos. Isso pavimenta o caminho para a Odontologia de Precisão, onde os tratamentos adaptam-se ao perfil genético único de cada paciente.

No Crool by Rios, reconhecemos que cada sorriso é único, assim como o DNA que o sustenta. Nossos protocolos se baseiam em uma visão sistêmica da saúde bucal, integrando a análise clínica detalhada com as mais recentes evidências científicas. Para o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e especialista em Periodontia que assina o Crool de Brasília, a busca por tratamentos individualizados é a vanguarda:

“Em um universo onde 100% dos casos são únicos, tratar o paciente como um ser individual é o mínimo. Estudos como este da USP nos dão ferramentas para consolidar uma base científica sólida e aplicar os princípios da Odontologia de Precisão”.

Mais aliados contra a inflamação: Exercício físico e Ômega-3

Se a genética pode explicar a persistência, o estilo de vida também tem um papel crucial.

Uma outra pesquisa, realizada pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba da Universidade Estadual Paulista (FOA-Unesp), revela que o exercício físico e a suplementação com Ômega-3 também podem ajudar a reduzir a infecção na raiz do dente.

  • Ação anti-inflamatória: O estudo mostrou que a combinação de exercícios (em camundongos) e Ômega-3 reduziu a intensidade da inflamação no osso em torno da raiz, atenuando a resposta dos macrófagos, células de defesa que, em excesso, podem causar dano tecidual.

  • Curiosidade: O Ômega-3 é um ácido graxo essencial com potente ação anti-inflamatória sistêmica, sendo benéfico para diversas condições, inclusive as bucais.

Isso nos lembra que a saúde da boca é reflexo da saúde do corpo. A combinação de cuidados odontológicos especializados com um estilo de vida saudável é sempre a melhor estratégia profilática.

Riscos, sintomas e como identificar a Periodontite Apical Crônica

A Periodontite Apical Crônica (PAC), que engloba a PAP, é uma doença inflamatória que se desenvolve lentamente e, muitas vezes, é assintomática em seu estágio inicial. Sua principal causa é a presença de bactérias que infectam a polpa, levando à necrose e, consequentemente, à infecção do osso na ponta da raiz.

Riscos da Periodontite Apical Crônica

  • Destruição óssea: O processo inflamatório crônico pode levar à destruição progressiva do osso que suporta o dente (osso alveolar).

  • Perda dentária: A perda de suporte ósseo pode resultar na mobilidade e, em casos avançados, na perda do dente.

  • Complicações sistêmicas: Embora seja uma condição localizada, inflamações crônicas na boca podem ter repercussões na saúde sistêmica, como já se demonstrou na relação entre periodontite (gengival) e doenças cardiovasculares.

Sinais de alerta: Como identificar a PAP?

Como a PAP pode ser assintomática, o diagnóstico depende de uma avaliação profissional atenta. No entanto, alguns sinais podem indicar a presença do problema, especialmente após um tratamento de canal prévio:

Categoria Sintomas e sinais comuns
Dor Dor leve e persistente, ou dor ao morder/mastigar no dente tratado.
Gengiva Inchaço ou sensibilidade na gengiva ao redor do dente afetado.
Abscesso Formação de uma “bolinha” de pus na gengiva (fístula), que drena a infecção e alivia a dor (o que pode mascarar o problema).
Mobilidade Sensação de que o dente está um pouco “solto”.

 

Na maioria dos casos, o diagnóstico da Periodontite Apical é confirmado por meio de exames radiográficos de rotina, que revelam uma área radiolúcida (escura) na ponta da raiz, indicando a perda óssea devido à inflamação.

Seu caminho para a Odontologia de Precisão é no Crool by Rios

Assim como vimos até aqui, a persistência da inflamação na raiz do dente nos ensina uma lição valiosa: a saúde bucal é um quebra-cabeça complexo, onde a técnica, a microbiologia e a genética se encontram.

Então, no Crool by Rios,  buscamos o conhecimento mais profundo e as técnicas mais avançadas para oferecer o melhor tratamento. Nossos profissionais estão em constante atualização, garantindo que o seu plano de tratamento seja o mais eficaz e individualizado possível.

Por fim, seja para um check-up profilático, uma avaliação de um dente com dor persistente, ou para discutir as implicações do seu histórico familiar na saúde bucal, o Crool é o lugar ideal. Tratamento odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

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