Foto de um grupo de adolescentes ilustra um artigo sobre odontohebiatria.

Odontohebiatria: Por que a saúde bucal do adolescente precisa de atenção especializada?

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Quando pensamos em saúde, é natural associarmos crianças ao pediatra e idosos ao geriatra. Mas, e os adolescentes? Eles não são mais crianças, mas também não possuem a fisiologia completa de um adulto. É nesse cenário de transição, repleto de desafios hormonais, comportamentais e sociais, que surge a necessidade de um olhar especializado: a Odontohebiatria.

Recentemente, dados alarmantes trouxeram este tema para o centro das discussões. Uma matéria veiculada pelo Jornal Opção destacou que o aumento no índice de cárie dentária revela a necessidade urgente de atendimento especializado para jovens.

Dessa forma, no Crool, entendemos que cuidar do sorriso de um adolescente vai muito além de tratar dentes. Na verdade, envolve compreender o estilo de vida, as inseguranças e as transformações dessa fase. Para aprofundar esse tema, convidamos o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial, Periodontista e nome que assina o Crool by Rios, para nos guiar por esse universo.

Odontohebiatria: O “elo perdido” da Odontologia

A palavra “Hebiatra” vem do grego Hebe, que significa puberdade ou juventude. Assim como a medicina possui a Hebiatria, a Odontologia reconhece a Odontohebiatria como a área que se ocupa da saúde bucal do adolescente (geralmente dos 10 aos 19 anos, segundo a OMS), com ênfase na prevenção, promoção de saúde e estética.

Para o Dr. José Antônio Rios, o profissional que atende adolescentes precisa ter uma “escuta generosa”:

“O adolescente está em uma fase de autoafirmação. Ele valoriza muito a estética e a cosmética, mas muitas vezes negligencia a higiene básica devido à rebeldia ou mudança de rotina. O nosso papel no Crool by Rios não é apenas curativo, é inserir esse jovem em um programa educativo-preventivo que faça sentido para a realidade dele.”

O cenário de alerta: Cárie e doença periodontal

O levantamento epidemiológico de saúde bucal no Brasil trouxe números que exigem atenção. Enquanto 64,8% das crianças de 12 anos apresentavam cárie dentária, a prevalência em adolescentes entre 15 e 19 anos foi de 52,9%.

Mais preocupante ainda é a saúde das gengivas. O estudo mostrou que 49,1% dos adolescentes entre 15 e 19 anos sofriam com sangramento gengival — um índice superior aos 37,1% observados nas crianças de 12 anos.

Embora o consumo excessivo de açúcar (sacarose) e ultraprocessados seja o grande vilão da cárie, o Dr. Rios faz uma ressalva importante sobre a saúde da gengiva:

“Diferente da cárie, não existem evidências diretas que associem o açúcar à doença periodontal no adolescente. Nesse caso, a ‘tempestade perfeita’ é formada pela mudança de comportamento — a negligência com a escovação e o uso do fio dental — somada às intensas alterações hormonais típicas da puberdade, que exacerbam a resposta inflamatória da gengiva.”

Cronologia do sorriso: O que acontece na boca do adolescente?

A Academia Americana de Odontopediatria divide a adolescência em três fases, e cada uma apresenta marcos importantes para o desenvolvimento dentário. Entender essa linha do tempo é vital para os pais e para o diagnóstico precoce.

1. Adolescência Precoce (11 aos 14 anos)

Antes de tudo, nesta fase, ocorre a troca final dos dentes de leite pelos permanentes.

  • Marco: Aos 12 anos, com a erupção do 2º molar permanente, completa-se a dentição permanente (com exceção dos sisos).

  • Atenção: Variações de um ano para mais ou para menos são normais e geralmente não indicam problemas clínicos graves.

2. Média Adolescência (15 aos 17 anos)

Em seguida, vem a fase de consolidação óssea e maturação das raízes dos dentes.

  • Marco: A raiz dos terceiros molares (sisos) completa sua formação entre os 14 e 16 anos.

3. Adolescência Tardia (18 aos 21 anos)

Enfim, o momento do “juízo”.

  • Marco: Erupção dos terceiros molares.

  • Curiosidade: Os sisos são os dentes mais frequentemente ausentes na dentição humana. Se até os 10 anos não houver evidência de seu desenvolvimento na radiografia, há uma chance de 50% de agenesia (o dente nunca nascer).

  • Cirurgia: Se houver indicação ortodôntica para extração, a idade ideal é na adolescência média (14-16 anos), pois a formação da raiz está no estágio ideal, garantindo um pós-operatório com significativamente menos complicações. Uma radiografia panorâmica é essencial para essa decisão.

Os novos desafios: Estilo de vida e riscos à saúde bucal

A Odontohebiatria moderna precisa dialogar com o estilo de vida contemporâneo. No Crool by Rios, observamos que os problemas bucais dos adolescentes estão intrinsecamente ligados aos seus hábitos sociais e emocionais.

Piercing bucal

Prática comum desde os anos 90, o uso de piercings em lábios, língua e bochechas é um símbolo de expressão, mas carrega riscos sistêmicos e locais documentados.

  • Complicações imediatas: Dor, edema (inchaço), sangramento e infecções locais.

  • Danos a longo prazo: O atrito constante do metal pode causar fraturas dentárias e retração gengival (a gengiva “sobe” e expõe a raiz do dente).

  • Risco grave: Além disso, piercings na língua podem gerar danos ao nervo lingual, comprometendo a fala, a deglutição e, em casos extremos, causar “língua bífida” (divisão traumática da língua).

  • Tratamento: A indicação odontológica padrão é a remoção do adereço, limpeza rigorosa e, se houver infecção, uso de antibióticos.

Vapes e energéticos

A popularização dos cigarros eletrônicos (vapes) e o consumo excessivo de energéticos e refrigerantes criaram um cenário propício para a erosão dentária. A acidez dessas bebidas dissolve o esmalte do dente, enquanto os químicos do vape promovem a xerostomia (boca seca), retirando a proteção natural da saliva e acelerando a cárie.

Transtornos alimentares e saúde mental

No Crool, reconhecemos a complexidade da relação entre mente e boca. Transtornos como bulimia e anorexia, infelizmente comuns na adolescência devido à pressão estética, deixam marcas nos dentes. O vômito frequente (na bulimia) banha os dentes em ácido estomacal, causando erosão severa na face interna dos dentes. Nossos profissionais são treinados para identificar esses sinais silenciosos e encaminhar o paciente para uma abordagem multidisciplinar, respeitando a ética e o acolhimento.

Prevenção e profilaxia: O caminho para um futuro saudável

Como garantir que o adolescente atravesse essa fase turbulenta com o sorriso intacto? A resposta está na união entre disciplina em casa e acompanhamento profissional.

A prevenção baseia-se no controle da placa bacteriana (biofilme). Em uma boca com higiene deficiente, o acúmulo de placa é o gatilho para cárie e gengivite. Além disso, a falta de higiene pode mascarar lesões mais graves, inclusive o câncer de boca, embora raro nessa idade.

Checklist de cuidados no consultório:

  1. Profilaxia profissional: Limpeza profunda para remover tártaro que a escova não alcança.

  2. Fluorterapia: O flúor é essencial para remineralizar o esmalte que sofre ataques constantes de ácidos (da dieta ou de bactérias).

  3. Orientação de higiene para ortodontia: Adolescentes com aparelho fixo retêm muito mais alimentos. O dentista deve ensinar técnicas específicas de uso de passa-fio e escovas interdentais.

O Crool cuida do sorriso de toda a família

A adolescência é o período onde a autoimagem é construída. Um sorriso saudável impacta diretamente a autoestima, a sociabilidade e a confiança do jovem. Ignorar a saúde bucal nesta fase pode gerar sequelas irreversíveis para a vida adulta.

Se você é pai, mãe ou responsável por um adolescente, ou se você é um jovem que se identificou com os sintomas citados, saiba que existe um cuidado desenhado para você. Cuidado odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

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