Bebê bocejando com a língua presa.

Frenectomia: A cirurgia da “língua presa” é realmente necessária?

Compartilhe:

Você já ouviu alguém dizer que fulano “beija mal” porque tem a língua presa? Ou talvez tenha presenciado piadas sobre quem troca letras na fala, como se isso fosse apenas um traço de personalidade ou falta de esforço. No imaginário popular, a anquiloglossia — nome técnico da famosa língua presa — transita entre o folclore social e o receio clínico. Contudo, para quem vive essa condição, o impacto vai muito além de um estigma em um encontro romântico ou de uma dicção diferenciada.

Dessa forma, a frenectomia, cirurgia que corrige alterações nos freios da boca, tornou-se um dos temas mais debatidos na odontologia e pediatria moderna. Se por um lado o procedimento promete liberdade funcional, por outro, especialistas acendem o alerta para um possível excesso de intervenções.

Pois bem, neste artigo, com o apoio técnico do Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial, especialista em Periodontia e fundador do Crool by Rios, vamos desmistificar o procedimento, analisar os dados recentes e entender quando a cirurgia é, de fato, a melhor escolha para a saúde e qualidade de vida.

O que é frenectomia e quais são os seus tipos?

Antes de tudo, a frenectomia é um procedimento cirúrgico simples que consiste no corte (incisão) ou remoção do freio — uma pequena prega de tecido membranoso que limita os movimentos de um órgão. Na cavidade bucal, lidamos principalmente com dois tipos:

1. Frenectomia lingual

É a correção do freio que liga a língua ao assoalho da boca. Quando esse tecido é excessivamente curto ou fibroso, ocorre a anquiloglossia. “A restrição do movimento da língua pode comprometer funções vitais, desde a amamentação no recém-nascido até a articulação de fonemas complexos na idade adulta”, explica o Dr. José Antônio Rios.

2. Frenectomia labial

Envolve o freio que liga o lábio (superior ou inferior) à gengiva. O problema mais comum aqui é o diastema (espaço exagerado entre os dentes centrais). Em alguns casos, o freio labial é tão potente que impede a aproximação natural dos dentes, podendo causar também problemas periodontais devido à dificuldade de higienização ou retração gengival.

O “teste da linguinha” e o boom de cirurgias no Brasil

Desde 2014, a Lei 13.002 tornou obrigatória a realização do “Protocolo de Avaliação do Frenulo da Língua em Bebês”, o popular Teste da Linguinha, em todas as maternidades brasileiras. O objetivo era nobre: diagnosticar precocemente problemas que pudessem impedir o bebê de mamar corretamente, evitando o desmame precoce e a desnutrição.

Entretanto, essa obrigatoriedade gerou uma polarização na comunidade médica. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) manifestou-se contrária à lei, argumentando que o exame pode levar a diagnósticos falso-positivos e cirurgias desnecessárias. Para a SBP, uma observação clínica cuidadosa da mamada por um profissional capacitado é frequentemente superior a um protocolo rígido de avaliação visual.

Os números não mentem: um crescimento exponencial

Os dados refletem essa mudança de paradigma. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2021 foram registradas 28.777 frenectomias na rede pública brasileira. Em 2023, esse número saltou para 47.619, um aumento expressivo de 65,47%. É importante ressaltar que esses dados não incluem o setor privado, onde o volume de procedimentos também apresenta curva ascendente.

Controvérsia internacional: Intervenção vs. cuidado assistido

O fenômeno não é exclusivamente brasileiro. Um relatório da Academia Americana de Pediatria (AAP) apontou que, nos Estados Unidos, as frenectomias aumentaram dez vezes entre 1997 e 2012. A AAP alerta que a popularização da cirurgia como “solução mágica” para dificuldades de amamentação pode estar mascarando outros problemas, como posicionamento incorreto do bebê ou questões fisiológicas da mãe.

Além disso, pesquisadores da Universidade de Durham e da University College London publicaram estudos sugerindo que a ênfase atual está excessivamente voltada para a intervenção cirúrgica, em detrimento de um suporte multidisciplinar que envolva fonoaudiólogos e consultores de amamentação. A crítica central reside na subjetividade do diagnóstico por palpação ou visão, que pode variar drasticamente entre profissionais.

“No Crool, adotamos uma postura de cautela e precisão. O diagnóstico não deve ser apenas visual, ele deve ser funcional. Se a anatomia do freio não está impedindo a função — seja a fala, a alimentação ou a saúde periodontal — a cirurgia pode não ser necessária”, pontua o Dr. Rios.

Quando a frenectomia é realmente indicada?

Para evitar o excesso de intervenções, é crucial entender os sinais de alerta que justificam o procedimento:

  • Dificuldade crítica na amamentação: Bebês que não conseguem fazer a “pega” correta, causando dor extrema à mãe e baixo ganho de peso.

  • Atrasos ou distorções na fala: Dificuldade em pronunciar sons como “r”, “l”, “t”, “d”, “n”, “z” e “s”.

  • Problemas ortodônticos: Espaços (diastemas) que não fecham mesmo com uso de aparelho, ou quando o freio causa retração na gengiva.

  • Limitação social e funcional: Dificuldades em tarefas simples, como lamber um sorvete, tocar instrumentos de sopro ou, como mencionado popularmente, desconforto em atividades sociais e íntimas devido à baixa amplitude de movimento lingual.

Como é realizada a cirurgia?

Atualmente, a frenectomia é considerada um procedimento de baixo risco e rápida execução. O Dr. José Antônio Rios explica que existem duas técnicas principais:

  1. Técnica convencional: Realizada com bisturi manual e pontos de sutura. É eficaz, mas exige um cuidado pós-operatório um pouco mais atento.

  2. Técnica a laser: Utiliza o laser de alta potência para remover o tecido. As vantagens incluem menor sangramento, ausência (muitas vezes) de pontos e uma recuperação mais acelerada.

Independentemente da técnica, a anestesia é local, e o paciente costuma ser liberado no mesmo dia.

Pós-operatório e cuidados essenciais

A cirurgia é apenas metade do caminho. O sucesso do tratamento depende diretamente dos cuidados posteriores:

  • Higiene rigorosa: Manter a área limpa para evitar infecções secundárias.

  • Alimentação: Nos primeiros dias, priorize alimentos gelados e macios (sorvetes, iogurtes, caldos mornos).

  • Exercícios fonoaudiológicos: Este é o ponto mais negligenciado. “A cirurgia libera o tecido, mas o cérebro precisa reaprender a mover o músculo. O acompanhamento com fonoaudiólogo é indispensável para treinar a nova amplitude da língua”, afirma o Dr. Rios.

  • Medicação: Seguir rigorosamente a prescrição de analgésicos ou anti-inflamatórios feita pelo dentista.

O papel do Crool na sua saúde bucal

A frenectomia, quando bem indicada, é um divisor de águas na vida do paciente. Ela devolve a confiança para falar em público, a alegria de amamentar sem dor e a funcionalidade necessária para um sorriso saudável. No entanto, a ética na saúde exige que cada caso seja tratado como único.

No Crool, reconhecemos que a saúde bucal é um pilar fundamental da qualidade de vida. Sob a liderança do Dr. José Antônio Rios, nossa equipe é treinada para realizar diagnósticos precisos, priorizando sempre o bem-estar do paciente acima de qualquer tendência de mercado. Então, se você tem dúvidas sobre a “língua presa” ou o freio labial, procure uma avaliação criteriosa. Cuidado odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

Compartilhe:

Posts Relacionados