Imagine a cena: você está em um restaurante badalado, aproveitando um almoço com amigos, entre risadas e boas histórias. De repente, ao morder um alimento, algo estala. Não é um osso, não é um caroço. É a sua lente de contato dental que acaba de se soltar “na frente de todo mundo”. O pânico é imediato, mas há quem pense que usar cola instantânea para resolver o problema é a melhor saída.
Foi exatamente o que aconteceu com a apresentadora Cariúcha no último sábado (9). Ao lado da influenciadora Mileide Mihaile, a apresentadora viu seu sorriso impecável ganhar um “espaço extra” inesperado. Com a irreverência que lhe é peculiar, Cariúcha não escondeu o jogo: “Caiu minha lente e eu tô sem dente”, relatou aos risos em suas redes sociais. No entanto, o que começou como uma situação cômica acendeu um alerta vermelho para os profissionais da odontologia quando a ideia de uma “solução caseira” surgiu: “Vamos ver se ela cola com cola Super Bonder”, brincou a apresentadora enquanto recebia ajuda da amiga para tentar resolver o imprevisto.
Embora o tom de Cariúcha tenha sido de descontração e ela tenha ressaltado que buscaria seu dentista com urgência, a dúvida é mais comum do que se imagina: posso usar cola instantânea para fixar um dente ou lente que caiu? A resposta curta, grossa e científica é: nunca.
Para entender por que essa “gambiarra” pode se transformar em um pesadelo clínico e financeiro, conversamos com o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico, Mestre e Doutor em Implantodontia.
O “efeito colateral” de um improviso perigoso
O desejo de resolver um problema estético imediato, seja por vergonha de aparecer sem o dente ou para evitar o que se imagina ser um gasto alto com uma consulta de emergência, leva muitas pessoas a recorrerem ao cianocrilato — o componente principal das colas instantâneas domésticas. No entanto, a boca é um ambiente vivo, úmido e extremamente sensível.
De acordo com o Dr. Frederico, o uso desses adesivos em tecidos vivos é um erro gravíssimo que ignora a biologia básica da boca.
“As colas à base de cianocrilato foram desenvolvidas para superfícies inertes, como madeira, plástico ou metal. Elas não são biocompatíveis. Quando entram em contato com a mucosa oral, a gengiva ou com a dentina exposta, podem causar reações alérgicas severas, inflamações agudas e até queimaduras químicas de segundo grau”, explica o fundador do Crool.
Além da toxicidade direta, existe a questão da exotermia. O processo de cura (secagem) dessas colas gera calor. Em um ambiente fechado como o dente, esse calor pode atingir a polpa dentária — o “nervo” do dente —, causando uma pulpite irreversível. O resultado? O que era apenas uma lente solta pode se tornar um tratamento de canal obrigatório ou até a perda total do elemento dental.
Os perigos invisíveis da cola instantânea:
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Toxicidade química: O cianocrilato libera substâncias que, ao serem degradadas pela saliva, podem ser absorvidas pela corrente sanguínea ou irritar permanentemente os tecidos moles.
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Infiltração bacteriana: Diferente dos cimentos odontológicos, a cola caseira não veda o dente. Isso cria microespaços onde restos de comida e bactérias se instalam, gerando cáries rápidas e agressivas sob a “peça colada”.
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Necrose gengival: O contato da cola com a gengiva pode interromper a circulação sanguínea local, levando à morte do tecido gengival, o que exige cirurgias de enxerto complexas para reparação.
Por que a cola instantânea não funciona no dente
Na odontologia moderna, praticada em centros de referência como o Crool Centro Odontológico, a fixação de uma lente ou coroa não é apenas uma questão de “grudar” uma peça na outra. É um processo de adesão química e mecânica complexo.
Para o Dr. Frederico Coelho, a tentativa de economizar no reparo imediato é o clássico exemplo do “barato que sai caro”. Ele pontua que, ao aplicar cola doméstica, o paciente cria uma barreira de resíduos químicos que impedem a adesão correta no futuro.
“Para remover essa cola industrial de cima do dente natural, o dentista precisará usar brocas e desgastar ainda mais a estrutura saudável. Muitas vezes, a lente de porcelana, que poderia ser reaproveitada se estivesse limpa, acaba sendo inutilizada pelo excesso de resíduos da cola que não saem sem danificar a peça”, alerta o Dr. Frederico.
Ou seja: ao tentar “economizar” a visita ao dentista no sábado, o paciente pode acabar tendo que pagar por uma lente nova, um tratamento de canal e uma cirurgia gengival na segunda-feira.
O dente caiu: o que fazer agora?
Se você, assim como a Cariúcha, passar por esse imprevisto durante um jantar ou evento importante, mantenha a calma. O Crool By Rios sugere um protocolo de segurança para preservar seu sorriso:
1. Recupere a peça
Se a lente, faceta ou coroa caiu inteira, guarde-a imediatamente. Lave-a apenas com água corrente e coloque-a em um recipiente limpo e seco. Nunca tente raspar os resíduos que estão dentro dela.
2. Higiene redobrada, mas com cuidado
O dente que ficou “exposto” (o preparo) costuma ficar sensível. Mantenha a região limpa, escovando com cerdas extra macias e evitando alimentos muito frios ou muito quentes, mas não aplique nenhum produto químico na área.
3. Evite a mastigação no local
Até que você chegue ao consultório, evite mastigar alimentos duros do lado onde a peça se soltou para não fraturar o que restou do dente natural.
4. O “jeitinho” temporário seguro
Se a estética for uma urgência absoluta (um casamento ou uma reunião em poucas horas), existem fixadores temporários de próteses em farmácias (estilo Corega), que são feitos para uso oral e não causam danos químicos. Eles não “colam” a lente, mas podem dar uma estabilidade momentânea até você chegar ao dentista. Atenção: isso não substitui o tratamento profissional.
Emergência odontológica
A situação vivida pela apresentadora Cariúcha destaca a importância de ter um suporte profissional acessível. O improviso pode parecer a única saída em um final de semana, mas é aí que mora o perigo.
O Dr. Frederico Coelho ressalta que ninguém precisa recorrer a métodos perigosos. O Crool By Rios não possui emergência odontológica 24 horas. Porém, se uma lente cai às três da manhã ou no meio de um almoço de domingo, existem diversas opções de especialistas em Brasília prontos para realizar a recimentação profissional e segura. Contudo, fique atento à credibilidade e avaliações do profissional.
Ao procurar uma emergência especializada, você garante que:
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O dente seja desinfectado corretamente.
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A peça (lente ou coroa) seja tratada com ácidos específicos para recuperar a capacidade de colagem.
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A gengiva seja protegida.
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O cimento utilizado seja biocompatível e da cor exata do seu sorriso.
O valor da saúde supera a pressa da estética
O riso de Cariúcha e a ajuda de Mileide Mihaile transformaram um incidente chato em um conteúdo viral, mas a lição que fica é séria. O dente é um órgão do corpo humano, ricamente vascularizado e conectado ao seu sistema nervoso. Tratá-lo com produtos de construção civil é um risco que não vale a pena.
Para o Dr. Frederico Coelho, a prevenção e o atendimento imediato são os melhores investimentos que um paciente pode fazer. “Não deixe que um momento de pressa ou desconforto estético comprometa a saúde de toda a sua boca. O conserto de uma ‘gambiarra’ com Super Bonder é sempre mais doloroso e caro do que o atendimento de uma urgência bem feita”, finaliza o especialista.
