Você provavelmente já ouviu, em algum momento da infância, que “chiclete estraga os dentes” ou que “se engolir, gruda no estômago”. Durante décadas, a goma de mascar foi pintada como a grande vilã da saúde oral, frequentemente associada ao surgimento de cáries e problemas na mandíbula. No entanto, como especialistas no Crool By Rios, buscamos sempre olhar além dos mitos, tendo como base a ciência e a história.
A verdade é que a relação da humanidade com a prática de mascar substâncias elásticas é milenar e, surpreendentemente, a tecnologia moderna está transformando esse hábito em uma ferramenta terapêutica. Neste artigo, vamos viajar 10 mil anos no tempo e retornar aos laboratórios da USP para entender: afinal, o chiclete é herói ou vilão?
O que uma goma de 10 mil anos nos ensina
As gomas de mascar não são, de forma alguma, uma invenção da era moderna. Há cerca de 30 anos, arqueólogos no sítio de Huseby Klev, na Suécia, descobriram chumaços de resina de bétula — uma substância preta semelhante ao alcatrão — ao lado de fósseis humanos. O que torna essa descoberta fascinante são as marcas de dentes e a saliva preservada, que permitiram um mapeamento genético sem precedentes.
Explorando a evolução e a ciência da goma de mascar na Odontologia
Um estudo publicado na revista Scientific Reports revelou que esses chicletes pré-históricos eram mascados por adolescentes de ambos os sexos há 10 milênios. Contudo, os dados mais impressionantes referem-se à saúde bucal daquela época. Em um pedaço mascado por uma jovem, pesquisadores encontraram vestígios de bactérias indicativas de um caso severo de periodontite.
Segundo Anders Gotherstrom, coautor do estudo, essa adolescente provavelmente sofria com dores intensas e deve ter perdido alguns dentes não muito depois de mascar a goma descartada. Embora a resina pudesse ser usada como cola para ferramentas, a hipótese de uso recreativo ou medicinal não é descartada. Isso nos mostra que as doenças gengivais nos acompanham há eras, e que a “ferramenta” de mastigar já estava lá, tentando, talvez, aliviar algum desconforto ou cumprir uma função social.
A revolução científica da USP para o seu sorriso
Dando um salto de 10 mil anos para o presente, a ciência brasileira está na vanguarda da evolução das gomas. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (USP) estão desenvolvendo estudos clínicos com gomas mastigáveis projetadas especificamente para reduzir a placa dental (biofilme bacteriano).
Diferente dos chicletes açucarados do século passado, essas novas formulações buscam auxiliar ativamente no controle da higiene bucal. O objetivo é criar um aliado prático para aqueles momentos em que a escovação imediata não é possível, transformando o ato de mascar em um processo de limpeza química e mecânica.
O papel do açúcar vs. xilitol
Para entender por que o chiclete ganhou má fama, precisamos falar sobre o açúcar. Antigamente, a maioria das gomas era saturada de sacarose e xaropes doces. As bactérias presentes na boca, como o Streptococcus mutans, metabolizam esse açúcar, produzindo ácidos que desmineralizam o esmalte dentário, resultando na cárie.
No entanto, a odontologia moderna encontrou um parceiro poderoso na nutrição: o Xilitol. Como destaca Karyne Magalhães, cirurgiã-dentista e membro da ABO-GO, as gomas adoçadas com esse açúcar natural (encontrado em frutas e vegetais) são alvos de pesquisas intensas na prevenção de cáries.
Por que o xilitol é diferente?
- Não fermentável: As bactérias cariogênicas não conseguem metabolizar o xilitol para produzir ácido.
- Menos calórico: Além de proteger os dentes, é uma opção mais saudável para a dieta geral.
- Efeito bacteriostático: Ele inibe o crescimento de bactérias nocivas, reduzindo a formação da placa.
O papel do chiclete moderno
Para o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool e autoridade em Implantodontia, a percepção sobre o chiclete mudou drasticamente. “Hoje, não vemos mais o chiclete sem açúcar como um inimigo, mas como um coadjuvante em casos específicos”, explica o doutor.
De acordo com o Dr. Frederico, o benefício mecânico da mastigação, quando aliado ao xilitol, promove uma “autolimpeza”. Ao mascar, estimulamos as glândulas salivares, aumentando o fluxo de saliva. A saliva é o melhor enxaguante bucal natural do corpo: ela possui anticorpos, minerais que ajudam na remineralização do esmalte e ajuda a equilibrar o pH da boca, neutralizando os ácidos produzidos após as refeições.
“No Crool, sempre reforçamos que o chiclete zero açúcar pode ser um aliado, mas jamais substituirá a tríade: escova de dentes, fio dental e raspador de língua. Ele é um recurso de conveniência e, em alguns casos, terapêutico.” — Dr. Frederico Coelho.
Quando o dentista recomenda mascar chiclete
Pode parecer contraintuitivo, mas existem condições clínicas onde o uso de gomas sem açúcar é recomendado por especialistas:
1. Xerostomia (Boca seca)
Muitos pacientes sofrem de redução do fluxo salivar devido a medicamentos ou condições sistêmicas. O ato de mascar chiclete com xilitol força a produção de saliva, aliviando a sensação de secura e protegendo os tecidos moles.
2. Recuperação de trismo e fisioterapia mandibular
Após certas cirurgias ou em casos de trismo (dificuldade de abrir a boca), o Dr. Frederico Coelho explica que a mastigação controlada pode auxiliar no exercício dos músculos mastigatórios, ajudando na recuperação da amplitude de movimento.
3. Controle de halitose
Embora o chiclete comum apenas mascare o cheiro, o chiclete com xilitol ajuda a combater a causa bacteriana da halitose e remove resíduos alimentares que poderiam apodrecer entre os dentes. Entretanto, o Dr. Frederico faz um alerta importante: “Camuflar o sintoma não erradica a causa. Se você depende de chicletes para esconder o hálito, é sinal de que precisa de uma avaliação profissional no Crool para investigar possíveis problemas periodontais ou gástricos”.
O perigo da camuflagem e o uso consciente
É fundamental entender que mesmo o chiclete com açúcar “comum” possui uma função positiva mínima: o estímulo salivar. Porém, o risco de cáries supera em muito esse benefício, tornando-o desaconselhável. O foco deve ser sempre nas opções “sugar-free“. Além disso, o uso excessivo de qualquer goma de mascar pode sobrecarregar a Articulação Temporomandibular (ATM), podendo agravar quadros de bruxismo ou dores de cabeça tensionais. O equilíbrio, como em tudo na saúde, é a chave.
Dica do Crool: Ao escolher sua goma de mascar, verifique o rótulo. O Xilitol deve ser um dos primeiros ingredientes da lista. Evite gomas com recheios líquidos, que geralmente são puro xarope de glicose.
Tradição e tecnologia no Crool By Rios
Desde os caçadores-coletores da Suécia até os pacientes modernos em Goiânia e Brasília, o ato de mascar evoluiu de uma necessidade técnica/medicinal para um hábito de consumo que, se bem orientado, traz benefícios reais. No Crool, nossa missão é traduzir esses avanços científicos para o seu dia a dia, garantindo que seu sorriso receba o que há de melhor na odontologia mundial.
Seja para tratar uma sensibilidade, melhorar o fluxo salivar ou realizar aquele check-up preventivo que evita problemas como a periodontite — que tanto castigou nossos ancestrais — estamos aqui para oferecer uma “escuta generosa” e um tratamento de excelência. Lembre-se: o chiclete com xilitol ajuda, mas a saúde bucal completa começa na cadeira do dentista. Tratamento odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.
Fontes de informação e referências:
- Scientific Reports / DW: “O que chicletes de 10 mil anos revelam sobre jovens da época”.
- Jornal da USP: Pesquisas sobre gomas mastigáveis contra placa dental (FCFRP/Forp).
- Portal Terra / Dra. Karyne Magalhães: “Acredite se quiser: mascar chiclete ajuda a evitar a cárie”.
