O mercado do emagrecimento no Brasil passa por uma verdadeira revolução tecnológica e farmacêutica. As canetas emagrecedoras, que antes pareciam uma febre passageira de redes sociais consolidou-se como parte da rotina de milhões de brasileiros. Com a recente aprovação da Ozivy pela Anvisa, a primeira versão brasileira semelhante da caneta à base de semaglutida, o acesso a esses tratamentos promete se expandir ainda mais.
No entanto, junto com a perda de peso acelerada, um efeito colateral inesperado começou a dominar os mecanismos de busca e as conversas de consultório: o chamado “bafo de Ozempic”.
Mas afinal, por que medicamentos injetáveis voltados para a perda de peso alteram o odor da boca? Será que as novas opções do mercado também provocam esse efeito? Neste artigo completo, desvendamos a ciência por trás desse fenômeno e mostramos como cuidar da sua saúde bucal sem interromper sua jornada de bem-estar.
O fenômeno das canetas emagrecedoras no Brasil
Buscas como “por que remédio para emagrecer dá boca seca?” e “o que fazer para combater o mau hálito do Ozempic?” refletem o crescimento estrondoso desse mercado. Conforme dados da consultoria Close-Up, o mercado de canetas emagrecedoras no Brasil deu um salto impressionante, passando de R$ 6,1 bilhões para R$ 12 bilhões.
A alta foi fortemente impulsionada pela chegada do Mounjaro (tirzepatida), considerado o mais potente da categoria atual. A semaglutida (princípio ativo do Ozempic), cuja patente expirou no Brasil, representa a segunda geração dessas canetas, promovendo uma redução de até 15% do peso corporal.
A primeira geração, representada pela liraglutida (fármaco do Saxenda), oferece uma perda de até 8% e já conta com versões nacionais mais baratas no mercado, como o Oliri e o Lirux (ambos da EMS). A grande novidade é que a Ozivy chega como a primeira versão nacional desenvolvida com a semaglutida, uma molécula consideravelmente mais potente que a liraglutida.
De acordo com um estudo do Itaú BBA voltado para investidores, a expectativa é que a concorrência nacional reduza o preço dessas canetas em até 50% ao longo de cinco anos. No curto prazo, o recuo deve orbitar em torno de 30%. Como a Ozivy é um medicamento similar (e não genérico), existem limites regulatórios para seus descontos iniciais. Apesar disso, o movimento deve forçar a fabricante original (Novo Nordisk) a oferecer condições mais agressivas para frear a concorrência nacional. Por outro lado, a terceira geração de canetas, baseada na tirzepatida do Mounjaro (que reduz até 22,5% do peso), continuará exclusiva da farmacêutica americana Eli Lilly por bastante tempo, já que sua patente nacional expira apenas em 2036.
Com tanta gente utilizando ou planejando utilizar esses fármacos, entender os impactos colaterais na saúde bucal tornou-se uma necessidade de saúde pública.
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Por que as canetas emagrecedoras causam mau hálito?
Muitos pacientes acreditam que o mau hálito surge diretamente do medicamento, mas a verdade está na forma como essas substâncias alteram o funcionamento do organismo.
“O mau hálito ou a alteração de odor na cavidade bucal nunca deve ser ignorado. Ele funciona como um termômetro biológico, sinalizando que algo no equilíbrio do corpo mudou”, explica o Dr. Frederico Coelho, fundador do CROOL Centro Odontológico, Mestre e Doutor em Implantodontia.
Abaixo, detalhamos os quatro fatores principais que explicam o surgimento do bafo de Ozempic:
1. Xerostomia (Boca seca)
A semaglutida e a tirzepatida atuam diretamente no sistema nervoso central para reduzir o apetite, o que frequentemente diminui também a sensação de sede. Como consequência direta, o paciente bebe menos água e passa a produzir menos saliva. A saliva atua como o “detergente natural” da boca, controlando a proliferação de bactérias e neutralizando ácidos. Sem ela, os microrganismos se multiplicam rapidamente, liberando compostos sulfurados voláteis (CSVs), que possuem um odor altamente desagradável.
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2. Jejuns prolongados e o hálito de cetose
Como a saciedade provocada por essas canetas é extrema, muitas pessoas passam horas seguidas sem ingerir nenhum tipo de alimento. Quando o corpo fica sem glicose para queimar e gerar energia, ele começa a quebrar as reservas de gordura. Esse processo metabólico é chamado de cetose e libera corpos cetônicos na corrente sanguínea. Esses compostos são eliminados através dos pulmões, gerando um hálito característico, que muitas vezes lembra o cheiro de maçã passada ou acetona.
3. Esvaziamento gástrico retardado e refluxo
Uma das principais funções de medicamentos como o Ozempic, Ozivy e Mounjaro é retardar o esvaziamento gástrico. Em termos simples: a comida fica muito mais tempo parada no estômago para que você se sinta saciado por mais tempo. Contudo, esse atraso na digestão pode provocar fermentação excessiva do bolo alimentar, além de gases, azia e refluxo gastroesofágico. Os gases originados no estômago acabam subindo pela via esofágica, alterando o hálito de forma perceptível.
4. Acúmulo de saburra lingual
A combinação de boca seca com a falta de mastigação frequente cria o cenário perfeito para a formação da saburra lingual, aquela camada esbranquiçada ou amarelada que fica depositada no fundo da língua. Sem o atrito regular dos alimentos e com pouca salivação, células descamadas da boca e restos microscópicos de comida se fixam na língua, servindo de banquete para bactérias causadoras do mau hálito.
Como prevenir e tratar o “bafo de Ozempic”?
A boa notícia é que você não precisa interromper o seu tratamento de emagrecimento para se livrar desse incômodo. Com algumas mudanças estruturais na rotina, é perfeitamente possível recuperar o hálito fresco.
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Hidratação estratégica e consciente: Não espere sentir sede para beber água. Estabeleça metas diárias de consumo (carregando sempre uma garrafa) para estimular a produção de saliva e lavar os resíduos bacterianos da boca.
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Fracionamento das refeições: Mesmo sem fome, evite o jejum absoluto por períodos muito longos. Faça pequenas refeições nutritivas ao longo do dia para evitar que o corpo entre em cetose severa e para manter o sistema digestivo em movimento constante.
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Higiene bucal ultra-rigorosa: Escove os dentes após cada refeição e faça o uso diário do fio dental. O uso de um raspador de língua de metal ou plástico é indispensável para remover a saburra lingual de forma eficiente.
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Estímulo salivar com chicletes sem açúcar: Mascar gomas ou pastilhas sem açúcar (de preferência com xilitol) ajuda a estimular mecanicamente as glândulas salivares, combatendo a xerostomia de forma rápida ao longo do dia.
O Crool By Rios no seu processo de emagrecimento saudável
Muitas vezes, as pessoas tentam resolver o mau hálito de forma paliativa usando apenas enxaguantes bucais com álcool, o que pode agravar ainda mais o ressecamento da boca. O diagnóstico correto e a personalização do tratamento dependem de uma visão clínica integrativa.
No Crool By Rios, compreendemos perfeitamente que as mudanças estéticas e metabólicas refletem de forma direta na saúde da sua boca. Nossos profissionais adotam uma abordagem multidisciplinar e humanizada, avaliando o fluxo salivar e identificando com precisão a origem da halitose.
“A jornada rumo à perda de peso e à saúde integral deve caminhar lado a lado com o cuidado odontológico. Investigar a raiz do problema garante que o paciente emagreça com autoestima, saúde e, acima de tudo, conforto social”, conclui o Dr. Frederico Coelho.
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