Recentemente, o caso do britânico Graham Bell chocou o público ao redor do mundo, acendendo um alerta sobre o perigo silencioso de problemas odontológicos que, à primeira vista, parecem inofensivos.
Bell tinha um dente quebrado. Ele não sentia dor, não apresentava inchaço evidente e, por isso, negligenciou a visita ao dentista. O que parecia ser apenas um incômodo estético, na verdade, era a porta de entrada para uma infecção que se alastrou, culminando em um grave abscesso cerebral e um quadro de sepse. O homem sobreviveu, mas ficou com sequelas neurológicas.
Essa história, apesar de rara, é um poderoso lembrete de que a saúde bucal e a saúde geral do nosso corpo estão intrinsecamente ligadas. A boca não é uma ilha. Uma infecção no dente pode, sim, se tornar uma ameaça sistêmica. E o principal culpado nessa narrativa de risco é o abscesso dentário.
Mas afinal, o que é abscesso dentário e por que uma infecção na boca pode ter consequências tão dramáticas?
O que é o abscesso dentário e por que ele atinge pessoas de todas as idades?
O abscesso dentário é o acúmulo de pus resultante de uma infecção bacteriana. Esse pus é uma mistura de bactérias mortas, glóbulos brancos e restos de tecido. Ele pode se formar em diferentes áreas:
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Abscesso Periapical: O mais comum, ele se forma na ponta da raiz do dente. Geralmente, é consequência de uma cárie profunda ou um trauma que permitiu a entrada de bactérias na polpa (o “nervinho” do dente), levando à necrose e, posteriormente, à infecção.
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Abscesso Periodontal: Forma-se na gengiva, ao lado da raiz, e costuma estar associado à doença periodontal (gengivite e periodontite) grave.
A resposta para a pergunta de por que ele atinge todas as idades é simples: a principal causa é a má higiene bucal, que leva à cárie. Se há dente, há risco de cárie e, consequentemente, de abscesso dentário. Crianças, adolescentes e adultos, todos estão suscetíveis se o cuidado profilático for negligenciado.
O problema de Bell ilustra o lado mais traiçoeiro dessa condição: a ausência de dor. Às vezes, a infecção mata o nervo do dente, cessando a dor aguda. No entanto, as bactérias continuam ativas, se multiplicando e buscando uma “rota de fuga” do osso e dos tecidos moles. É nesse momento que o risco sistêmico aumenta exponencialmente.
Importante: A dor é um sinal de alerta crucial, mas sua ausência em um dente infectado pode ser um sinal de que a polpa morreu, o que torna o quadro ainda mais grave. Jamais ignore um dente quebrado, escurecido ou com histórico de dor que “sumiu”.
As 3 fases de evolução da infecção no dente
Antes de tudo, o abscesso dentário não surge de um dia para o outro, ele passa por uma progressão que pode ser notada pelo dentista e, em alguns casos, pelo próprio paciente:
Fase 1: Inicial (Periapical)
Nesta fase, o pus está confinado à ponta da raiz do dente, dentro do osso (espaço periapical). O paciente pode sentir uma dor latejante e pulsátil, sensibilidade ao mastigar ou ao toque. Radiografias odontológicas são a melhor forma de detectar o problema nesse estágio inicial, permitindo um tratamento menos invasivo.
Fase 2: Intraóssea e o inchaço da face
A infecção avança e começa a perfurar o osso. O sistema imunológico tenta conter a proliferação bacteriana.
Neste momento, o pus migra em direção à superfície. É aqui que o paciente começa a apresentar o clássico inchaço facial, que pode ser localizado e doloroso. A dor é intensa e a febre pode começar a se manifestar.
Fase 3: Submucosa e a ruptura (Flutuação)
Nesta etapa, o abscesso rompe a cortical óssea e atinge a região submucosa (abaixo da gengiva ou pele). O inchaço no rosto continua, mas muda de característica: a área fica flutuante (mole ao toque), como um balão de líquido.
Em alguns casos, o abscesso pode se romper sozinho, drenando o pus e aliviando temporariamente a dor, o que pode dar uma falsa sensação de cura. ATENÇÃO: a ruptura espontânea não resolve o problema, as bactérias continuam presentes e a infecção pode retornar a qualquer momento. O tratamento profissional continua sendo essencial.
O risco sistêmico e a letalidade do abscesso dentário
A progressão do abscesso dentário não tratado pode ser catastrófica, pois a infecção tem acesso direto à corrente sanguínea e a espaços anatômicos vitais.
Para o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e especialista em Periodontia, que assina o Crool by Rios, a conscientização sobre esse risco é fundamental:
“As pessoas precisam entender que a boca é parte do corpo, não um universo à parte. Um abscesso é um pacote de bactérias agressivas. Quando ele se rompe ou migra, pode contaminar estruturas adjacentes ou, pior, viajar pela circulação sanguínea. É por isso que não tratamos apenas o dente, mas a saúde geral do paciente.”
Complicações graves incluem:
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Sepse (Sepsis): A infecção atinge a corrente sanguínea, espalhando-se por todo o corpo e causando uma resposta inflamatória generalizada, que pode levar à falência de órgãos e, sim, à morte.
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Abscesso cerebral: Assim como aconteceu com Graham Bell. As bactérias migram através de vasos sanguíneos próximos ou pela proximidade anatômica com o sistema nervoso central, criando um foco de pus no cérebro.
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Angina de Ludwig: Uma celulite grave (infecção dos tecidos moles) que afeta o assoalho da boca, pescoço e garganta. É extremamente perigosa, pois o inchaço pode obstruir as vias aéreas e impedir a respiração.
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Sinusite e Osteomielite: A infecção pode se espalhar para os seios da face (sinusite) ou para o osso da mandíbula ou maxila (osteomielite), causando destruição óssea.
Prevenção e tratamento
A melhor forma de evitar todo esse sofrimento é a prevenção, baseada em dois pilares: higiene bucal ideal e acompanhamento profissional profilático.
A prevenção começa em casa
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Controle da dieta: Reduzir o consumo de açúcar e alimentos ácidos diminui o risco de cáries e, consequentemente, de abscesso.
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Higiene rigorosa: Escovação de qualidade (no mínimo, duas vezes ao dia), uso diário de fio dental e enxaguante bucal (quando indicado).
O tratamento especializado
Ao identificar os sintomas de abscesso dentário (dor intensa, inchaço facial, pus na gengiva, sensibilidade), a procura por um dentista é urgente. A conduta clínica do profissional visa eliminar a fonte da infecção e preservar o dente, se possível.
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Drenagem do pus: O primeiro passo, crucial para alívio imediato e controle da infecção, é a drenagem do abscesso. O dentista faz uma pequena incisão para liberar o pus.
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Tratamento de canal (Endodontia): Se o abscesso for periapical e o dente tiver estrutura para ser mantido, o tratamento de canal é o procedimento padrão. O dentista remove a polpa infeccionada, limpa a câmara pulpar e os canais, preenchendo-os para selar o espaço e evitar a reinfecção.
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Cirurgia Periodontal: No caso de abscesso periodontal, é realizada a limpeza profunda da bolsa, remoção do tártaro e, se necessário, cirurgia para corrigir o defeito ósseo ou gengival.
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Extração do dente: Infelizmente, em quadros muito avançados, onde há grande destruição dentária ou óssea, a extração do dente pode ser a única opção viável para remover a infecção por completo e evitar que ela se espalhe.
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Antibióticos: São prescritos para controlar a infecção bacteriana, especialmente quando o abscesso está em fase aguda, com inchaço e febre.
O cuidado odontológico do Crool by Rios
No Crool, reconhecemos a complexidade da relação entre saúde bucal e sistêmica. Nossos protocolos de atendimento priorizam uma abordagem de escuta generosa e exames detalhados (como radiografias digitais de alta precisão) para identificar a infecção no dente em suas fases iniciais, antes que ela se torne uma ameaça sistêmica.
O Dr. Rios ressalta a importância da rotina: “A visita profilática regular, a cada 6 meses, é a nossa melhor arma. Ela permite que a gente detecte uma cárie no estágio zero e um abscesso antes que o paciente sequer note os sintomas, impedindo desdobramentos como o do caso Graham Bell.”
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