Temas que antes eram restritos a consultórios e livros didáticos invadem nossas telas e conversas. No universo da odontologia, a cárie dentária é um termo familiar. Contudo, você sabia que essa deterioração tem nomes e formas de manifestação que são, no mínimo, curiosas?
A cárie é, em essência, o resultado da desmineralização dos tecidos duros do dente (esmalte, dentina e cemento). Em suma, ela é causada por ácidos liberados por bactérias da boca que consomem restos de alimentos, principalmente açúcares. Embora a causa fundamental seja a mesma, as condições que aceleram ou localizam essa deterioração dão origem a nomes bastante curiosos, como “cárie de mamadeira” e “cárie de radiação”.
Em um mundo onde a informação é a chave para a prevenção, convidamos você a mergulhar nos detalhes desses fenômenos. Para nos elucidar, contamos com o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e especialista em Periodontia, nome que assina o Crool by Rios.
Cárie de mamadeira e cárie de radiação: Cenários reais e definições
Embora os nomes remetam a causas completamente diferentes, a “cárie de mamadeira” e a “cárie de radiação” resultam na mesma consequência: a deterioração acelerada dos dentes. Então, vejamos como elas se manifestam.
Cenário 1: O risco na hora de dormir (Cárie de Mamadeira)
Imagine um bebê que adormece todas as noites com a mamadeira de leite, suco ou chá adoçado na boca. Durante o sono, o fluxo salivar, que é o mecanismo natural de “limpeza” da boca e neutralização de ácidos, diminui drasticamente. O líquido açucarado (ou o leite, que contém lactose, um açúcar) permanece em contato com os dentes, principalmente os incisivos superiores, servindo de banquete prolongado para as bactérias. O resultado é uma cárie agressiva, frequentemente observada na forma de lesões escuras ou destruição da coroa dos dentes decíduos (dentes de leite).
Cenário 2: O efeito colateral silencioso (Cárie de Radiação)
Em outro contexto, pense em um paciente adulto que acaba de passar por um rigoroso tratamento de radioterapia na região de cabeça e pescoço para combater um câncer. A radiação ionizante é vital para destruir as células cancerosas, mas, infelizmente, pode danificar as glândulas salivares (parótidas, submandibulares e sublinguais) que se encontram no campo de irradiação. Esse dano leva à xerostomia (boca seca crônica) e a alterações na composição da saliva (pH e minerais). Sem a proteção e o poder de remineralização da saliva, os dentes ficam drasticamente vulneráveis à cárie. Dessa forma, ela progride de maneira rápida e destrutiva, podendo levar à fratura da coroa em poucos meses.
Semelhanças e diferenças
A cárie de mamadeira é conhecida tecnicamente como Cárie de Primeira Infância (CPI) ou Early Childhood Caries (ECC), é uma forma agressiva de cárie que afeta crianças pequenas, geralmente associada a hábitos incorretos de alimentação, como o uso prolongado da mamadeira com líquidos cariogênicos (exceto água) ou aleitamento materno noturno prolongado sem a devida higienização após as mamadas.
Por sua vez, a cárie de radiação é uma consequência tardia e grave da radioterapia na região de cabeça e pescoço. Sua principal causa é a hipossalivação (redução do fluxo salivar) permanente ou de longo prazo, que destrói a defesa natural da boca. A cárie de radiação costuma se manifestar atípica e difusamente, afetando a superfície dentária de forma generalizada, e possui uma progressão extremamente rápida devido à falta de saliva. Além da hipossalivação, alguns estudos sugerem um possível efeito direto da radiação na estrutura dentária, tornando-a mais suscetível à desmineralização.
| Característica | Cárie de Mamadeira (CPI) | Cárie de Radiação |
| Causa primária | Exposição prolongada dos dentes a açúcares na ausência de fluxo salivar (principalmente durante o sono). | Dano às glândulas salivares pela radioterapia, causando boca seca (xerostomia) e alteração na saliva. |
| Público alvo | Bebês e crianças pequenas (até 6 anos). | Pacientes que receberam radioterapia na região de cabeça e pescoço. |
| Progressão | Rápida e severa nos dentes decíduos. | Extremamente rápida e destrutiva, afetando a coroa e, muitas vezes, a raiz dos dentes. |
| Padrão de lesão | Geralmente começa nos incisivos superiores e se espalha. | Difusa, atípica e generalizada em todas as superfícies dentárias. |
| Semelhança essencial | Ambas são cáries de progressão acelerada e destrutiva, onde o fator de defesa natural (saliva) está comprometido ou ausente. | Ambas resultam na perda de minerais do dente. |
Outros nomes curiosos da cárie dentária
A cárie dentária não se limita apenas a esses dois tipos com nomes descritivos. Dependendo da localização e da forma de manifestação, ela ganha outras nomenclaturas que auxiliam o diagnóstico:
Cárie Coronária
É o tipo de cárie dentária mais comum, que afeta a coroa do dente — a parte visível. Ela se manifesta nas superfícies de mastigação (oclusais, cheias de sulcos e fissuras) ou nas superfícies laterais (proximais) que entram em contato com os dentes vizinhos. É a cárie que a maioria das pessoas associa ao problema.
Cárie Radicular
Ocorre quando a gengiva se retrai (recessão gengival), expondo a raiz do dente. A raiz é revestida por cemento, que é muito menos resistente aos ácidos do que o esmalte da coroa. Por isso, a cárie radicular progride rapidamente. É mais frequente em adultos e idosos.
Cárie Recorrente (ou Secundária)
Esse nome curioso é dado à deterioração que se desenvolve ao redor ou sob restaurações (obturações) já existentes. Ela surge quando há falhas, trincas ou má adaptação na restauração, criando microespaços onde a placa bacteriana se acumula e o ácido ataca a estrutura dental adjacente.
Cárie de Rampante ou Aguda
Embora o termo “rampage” (em inglês, usado em alguns contextos) possa ser confundido, o termo correto é Cárie Aguda. É uma cárie de progressão extremamente rápida, que atinge a polpa do dente em pouco tempo, causando dor intensa. Muitas vezes, a cárie de mamadeira é uma forma de cárie aguda.
A prevenção de cáries mora no cuidado contínuo
O ponto de união entre todos os tipos de cáries é que a prevenção é, de longe, a melhor e mais inteligente abordagem. A manutenção de uma rotina rigorosa de higiene e o acompanhamento profissional são inegociáveis.
De acordo com o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e especialista em Periodontia, “A cárie é uma doença que pode ser prevenida em 99% dos casos. No entanto, é fundamental entender que, em casos atípicos como a cárie de radiação, o cuidado preventivo precisa ser intensificado e multidisciplinar. A chave é manter o equilíbrio bucal e compensar a ausência da saliva com o uso de fluoretos e substitutos salivares. Para a cárie de mamadeira, o foco é a educação parental sobre a higiene bucal antes mesmo do nascimento do primeiro dente e, principalmente, a exclusão da mamadeira noturna após o primeiro ano de vida.”
Dicas de prevenção de cáries em geral
- Higiene rigorosa com flúor:
- Escove os dentes pelo menos três vezes ao dia, com atenção especial antes de dormir.
- Use uma pasta de dente fluoretada na concentração adequada para sua idade (adultos: 1000 a 1500 ppm).
- Use fio dental diariamente para limpar as superfícies interdentais (entre os dentes), onde a cárie coronária e a recorrente adoram se instalar.
- Moderação no consumo de açúcares e ácidos:
- Reduza a frequência de ingestão de doces, refrigerantes, sucos ácidos e alimentos processados.
- Se for consumir, faça-o durante as refeições principais, minimizando o tempo de exposição dos dentes.
- Beber muita água:
- A água estimula a produção de saliva e ajuda a lavar os restos de comida, neutralizando o pH ácido da boca.
- Para cárie de mamadeira (CPI):
- Nunca deixe o bebê dormir com a mamadeira (exceto com água) ou amamentar em livre demanda noturna após o primeiro ano de vida sem higienização posterior.
- Inicie a limpeza da boca do bebê (com gaze ou dedeira) antes do surgimento dos dentes e a escovação suave (com pasta fluoretada na quantidade correta: “grão de arroz” para menores de 3 anos e “ervilha” para maiores) assim que o primeiro dente nascer.
- Para cárie de radiação (e pacientes com xerostomia):
- Uso diário e intensivo de produtos com alta concentração de flúor, recomendados pelo dentista.
- Uso de saliva artificial ou estimulantes salivares, conforme orientação médica e odontológica.
- Ingestão constante de água.
- Visitas ao dentista ainda mais frequentes para monitoramento e aplicação profissional de flúor e vernizes.
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