Muitas vezes, pintamos o dente do siso como o vilão da juventude. Responsável por dores, inchaços e a inevitável visita ao cirurgião, o terceiro molar parecia não ter outra função senão a extração e descarte. No entanto, a ciência acaba de virar esse jogo. O que antes recebia o tratamento de lixo hospitalar, hoje possui o título de um dos maiores ativos da medicina regenerativa.
Recentemente, um estudo publicado na renomada revista Stem Cell Research & Therapy trouxe esperança para milhões de pessoas. Em suma, pesquisadores da Universidade do País Basco, na Espanha, descobriram que a polpa dos dentes do siso contém células-tronco com uma capacidade extraordinária: elas podem ser transformadas em neurônios funcionais, capazes de emitir sinais elétricos. Essa descoberta abre portas para o tratamento de doenças neurodegenerativas, lesões cardíacas e regeneração óssea.
No Crool by Rios, acompanhamos essa evolução de perto. Para o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e nome que assina a clínica, “estamos vivendo uma mudança de paradigma. O dentista deixa de ser apenas o profissional que cuida do sorriso para se tornar um guardião de material genético vital para a saúde sistêmica do paciente”.
O que são as Células-tronco da Polpa Dentária (CTPDs)?
Antes de tudo, para entender o potencial desses dentes, precisamos olhar para dentro deles. A polpa dentária é o tecido mole localizado no centro do dente, rico em vasos sanguíneos, nervos e, crucialmente, células-tronco mesenquimais.
As Células-tronco da Polpa Dentária (CTPDs) possuem características que as tornam superiores a outras fontes:
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Alta proliferação: Elas se multiplicam rapidamente em laboratório.
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Plasticidade: Têm a capacidade de se transformar em diferentes linhagens celulares (osteoblastos, condrócitos, miócitos e neurônios).
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Acesso ético: Diferente das células-tronco embrionárias, sua coleta não envolve dilemas éticos, pois utiliza um dente que seria naturalmente descartado.
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Imunomodulação: Elas ajudam a controlar a resposta inflamatória do corpo, um fator essencial em doenças autoimunes.
Odontogênese: O nascimento de um tesouro biológico
A formação dos dentes, ou odontogênese, é um processo biológico complexo que começa ainda na fase embrionária. Durante esse período, as células da crista neural migram e interagem com o ectoderma da boca, dando origem ao germe dentário.
De acordo com o Dr. José Antônio Rios, a polpa dentária é formada a partir da papila dentária, um tecido que retém características “jovens” mesmo em adultos. “Durante a odontogênese, essas células são programadas para formar tecidos complexos. Por estarem protegidas dentro da câmara pulpar, uma espécie de caixa-forte mineralizada, as células-tronco do siso permanecem preservadas de mutações externas e danos ambientais”, explica o especialista do Crool by Rios.
Por que a preferência pelos dentes do siso?
Embora dentes de leite também possuam células-tronco valiosas, os terceiros molares (sisos) são os favoritos da ciência atual por dois motivos principais:
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Volume de tecido: O siso oferece uma quantidade significativa de polpa saudável.
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Idade do doador: Geralmente extraídos entre os 15 e 25 anos, esses dentes contêm células com alta capacidade de divisão e poucas alterações genéticas acumuladas pelo tempo.
Uma linha do tempo de avanços
Além disso, a jornada para utilizar dentes como cura não é nova, mas tem acelerado exponencialmente. Só para ilustrar, em 2008, cientistas japoneses já faziam história ao extrair células-tronco do siso de uma menina de dez anos, utilizando-as para criar células hepáticas (do fígado). Esse experimento pioneiro provou que o congelamento adequado (criopreservação) poderia manter a viabilidade celular por anos.
Avançando para 2020, durante o auge da pandemia de COVID-19, pesquisadores brasileiros investigaram como essas mesmas células poderiam ajudar no tratamento da síndrome respiratória aguda grave. Em outras palavras, o objetivo era utilizar a capacidade imunomoduladora das células-tronco mesenquimais para reequilibrar o sistema imune e reparar danos nos pulmões.
Hoje, em 2026, os estudos pré-clínicos e clínicos já mostram resultados em doenças como:
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Parkinson: Células derivadas da polpa auxiliam na substituição de neurônios produtores de dopamina.
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Alzheimer: Auxílio na remoção de placas amiloides e redução da inflamação cerebral.
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Infarto do miocárdio: Regeneração de células do músculo cardíaco danificadas.
Banco de Dentes Humanos: Como ser um doador?
Se você não pretende investir no armazenamento privado (o chamado “seguro biológico”), ainda pode contribuir imensamente para a ciência através da doação para Bancos de Dentes Humanos (BDH).
Muitas universidades, como a USP e outras instituições federais, mantêm bancos que utilizam esses dentes para ensino e pesquisa científica. No Crool, incentivamos a doação ética. “Doar um dente que iria para o descarte é um ato de cidadania científica. Aquele material pode ser a base para a descoberta da cura de uma doença degenerativa”, pontua o Dr. Rios.
Para doar, não se pode jogar o dente no lixo comum. Deve-se mantê-lo em condições de higiene e encaminhado à instituição seguindo protocolos específicos de desinfecção e armazenamento em soro fisiológico ou leite, conforme orientação do banco de destino.
A ciência e o cuidado no CROOL by Rios
Assim como reforçamos por aqui, no Crool, entendemos que a odontologia moderna é indissociável da medicina geral. Fundamentamos nossa prática em evidências e no respeito à biologia do paciente. Ao realizar uma extração de siso, nossa equipe está preparada para orientar o paciente sobre todas as possibilidades: desde o descarte correto até o encaminhamento para empresas de criopreservação de células-tronco.
Acompanhamos as atualizações acadêmicas globais para garantir que você receba o tratamento mais avançado e ético disponível. Como destaca o Dr. José Antônio Rios: “Nosso compromisso é com a vida. Se o seu dente pode, no futuro, salvar seu coração ou seu cérebro, é nosso dever ser o elo entre essa tecnologia e você”.
