Mulher com dor no dente siso.

Por que algumas pessoas nascem com siso e outras não? A ciência por trás da evolução bucal

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Você já ouviu histórias de bebês que, para a surpresa dos pais e médicos, já nascem com um ou dois dentinhos na boca? Embora raro, esse fenômeno biológico causa espanto. No entanto, o que tem chamado a atenção dos cientistas e dentistas atualmente é o caminho inverso: adultos que chegam à maturidade sem nenhum sinal dos famosos “dentes do juízo”.

Parece uma ironia da natureza: enquanto alguns começam a vida com dentes precoces, uma parcela cada vez maior da população caminha para uma arcada dentária mais reduzida. Afinal, por que algumas pessoas nascem com siso e outras não? Seria um “privilégio” evolutivo ou um problema de saúde?

O que é o dente siso e qual sua função original?

Os terceiros molares, popularmente conhecidos como dentes do siso, são os últimos dentes a se desenvolverem na dentição humana. Geralmente, eles costumam dar o “ar da graça” entre os 17 e 25 anos — idade que, historicamente, associamos ao início da maturidade ou “juízo”.

Na anatomia dos nossos ancestrais, esses dentes desempenhavam um papel fundamental. “Nossos antepassados hominídeos possuíam mandíbulas muito mais largas e robustas”, explica o Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e nome que assina o Crool by Rios. “Eles precisavam de uma superfície de mastigação potente para processar alimentos crus, raízes fibrosas e carnes endurecidas. O siso era, essencialmente, uma ferramenta de sobrevivência.”

Contudo, com o passar dos milênios, a função desses dentes tornou-se obsoleta. A descoberta do fogo e o advento da agricultura permitiram que passássemos a consumir alimentos cozidos e mais macios. Consequentemente, a necessidade de uma mastigação vigorosa diminuiu, dando início a uma das mudanças mais fascinantes da evolução humana.

A ciência da ausência: Entendendo a agenesia do siso

Se você fez uma radiografia panorâmica e descobriu que não possui os germes dentários dos sisos, você é o que chamamos tecnicamente de um caso de agenesia. A agenesia é uma anomalia dentária que consiste na ausência congênita de um ou mais dentes, e no caso dos terceiros molares, isso é cada vez mais comum.

O papel da genética e dos genes específicos

A formação de um dente é um processo orquestrado por uma rede complexa de genes. Estudos apontam que mutações em genes como o PAX9 e o MSX1 podem interromper a formação do dente ainda na fase embrionária.

Para o Dr. Rios, essa é uma característica herdada que não traz prejuízos funcionais. “Quando o gene deixa de atuar, o dente simplesmente não é formado. No Crool, tranquilizamos os pacientes com agenesia, pois, na configuração atual da face humana, a ausência do siso muitas vezes evita problemas de apinhamento dentário e falta de espaço”, pontua o especialista.

Mudanças na dieta e a redução da mandíbula

A evolução não ocorre por acaso, ela responde a estímulos ambientais. Como nossa dieta tornou-se predominantemente macia, nossas mandíbulas não precisam mais ser tão grandes. Com o tempo, o desenho do rosto humano mudou: nossos rostos estão ficando mais curtos.

O problema é que, embora a mandíbula tenha encolhido, a informação genética para “fabricar” 32 dentes ainda persiste em muitas pessoas. O resultado? O siso tenta nascer, mas não encontra espaço, ficando retido ou semi-incluso, o que pode gerar inflamações e dores intensas.

O estudo australiano: Estamos em um processo de microevolução?

Segundo o UOL VivaBem, um estudo publicado no Journal of Anatomy por pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália, trouxe dados reveladores sobre essa transição. A Dra. Teghan Lucas, líder da pesquisa, afirma que estamos passando por um período de “microevolução” acelerada.

De acordo com os cientistas australianos, o número de pessoas que nascem sem os sisos está aumentando drasticamente em um curto período de tempo. Essa mudança no desenho físico — rostos mais curtos e mandíbulas menores — é uma adaptação direta ao nosso estilo de vida moderno.

“Nossos ancestrais tinham terceiros molares até quatro vezes maiores que os nossos”, comenta o Dr. José Antônio Rios. “Era uma obra-prima da engenharia biológica para a época. Hoje, vemos a seleção natural agindo para simplificar a arcada, já que o siso se tornou, em muitos casos, um elemento de desequilíbrio para a saúde bucal.”

Formação não é sinônimo de nascimento: O siso incluso

Além disso, um ponto crucial que sempre reforçamos no Crool é que não ter o siso na boca não significa necessariamente que você não o tenha na mandíbula. Existe uma diferença vital entre a agenesia (quando o dente não existe) e o dente incluso ou impactado (quando o dente existe, mas não consegue erupcionar).

Muitas vezes, o paciente acredita “não ter o siso” porque nunca sentiu dor, mas o dente está lá, escondido sob a gengiva ou osso, podendo causar:

  • Reabsorção das raízes dos dentes vizinhos;

  • Formação de cistos ou tumores odontogênicos;

  • Pericoronarite (infecção na gengiva que recobre o dente parcialmente erupcionado).

“Por isso, a avaliação clínica e radiográfica é indispensável. Mesmo quem não vê o siso precisa monitorar sua presença por meio de exames de imagem para evitar surpresas desagradáveis no futuro”, recomenda o Dr. Rios.

Mitos e verdades sobre o dente do siso

Para democratizar o conhecimento, separamos os principais mitos que circulam nos consultórios para serem esclarecidos pela nossa equipe de especialistas.

1. “Todo mundo precisa tirar o siso?”

Mito. Se o dente estiver totalmente erupcionado, em uma posição que permita a higienização correta e não prejudique o alinhamento, ele pode permanecer. No entanto, a maioria das pessoas não possui espaço suficiente, tornando a extração a via mais segura.

2. “O siso entorta os dentes da frente?”

Verdade parcial. Embora existam debates acadêmicos, a pressão exercida pelo siso ao tentar nascer em uma mandíbula pequena pode, sim, contribuir para o apinhamento dos dentes anteriores, especialmente se o paciente já tiver uma tendência genética a isso.

3. “Quem não tem siso é mais evoluído?”

Mito. Trata-se apenas de uma variação biológica e evolutiva. Não ter o siso é uma adaptação às dietas modernas, mas possuí-los não torna ninguém “menos evoluído”. É apenas uma característica da diversidade humana.

Quando a extração é recomendada?

No Crool by Rios, seguimos critérios rigorosos de indicação cirúrgica. O Dr. José Antônio Rios destaca que a extração é recomendada quando:

  • Há dor crônica ou desconforto na região posterior;

  • O dente está em uma posição que impede a escovação, facilitando cáries;

  • Existe risco de danos ao segundo molar;

  • O paciente passará por tratamento ortodôntico e precisa de espaço na arcada.

“No Crool, reconhecemos a complexidade da anatomia de cada paciente. Nossos profissionais utilizam tecnologias de ponta para que a cirurgia de siso seja um procedimento tranquilo, seguro e com pós-operatório acelerado”, afirma o fundador.

O futuro da nossa dentição

Assim como pudemos ver, a ausência do siso é um reflexo fascinante de como o corpo humano se molda ao ambiente e aos hábitos culturais. Seja por agenesia genética ou pela falta de espaço nas mandíbulas que estão diminuindo, o fato é que o “dente do juízo” está se tornando uma lembrança do nosso passado caçador-coletor.

Se você faz parte do grupo que nasceu sem esses dentes, sinta-se grato pela facilidade. Se você os possui, não encare como um problema, mas como uma estrutura que exige atenção profissional.

O Crool by Rios é o lugar ideal tanto para quem precisa realizar a extração do siso com a expertise de um Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial, quanto para quem deseja manter a saúde bucal em dia e monitorar sua evolução dentária. Nossa missão é oferecer um atendimento acolhedor, fundamentado na ciência e no cuidado individualizado. Cuidado odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

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