O mundo dos esportes nos coloca constantemente diante de lances de impacto, onde a velocidade e o contato físico podem ter consequências imediatas. Recentemente, a notícia do jogador Alex Silva, do Coritiba, que perdeu um dente após uma cotovelada no rosto, conforme o Metrópoles, acendeu um alerta que vai além dos gramados: a urgência e a importância de saber como agir em um trauma dentário.
Casos como o de Alex Silva nos lembram que a boca está vulnerável. Seja no futebol, no basquete, em acidentes cotidianos ou em simples quedas, o trauma dentário é uma emergência real. Estudos, como o divulgado pelo Jornal da USP, alertam para a falta de prevenção e o baixo uso de protetores bucais em esportes, o que só reforça a necessidade de conscientização.
Mas o que fazer quando o dente cai ou se quebra? Existe um “tempo de ouro” para salvar o dente? E por que o conselho de avós de usar o leite materno ou integral é, surpreendentemente, a recomendação científica mais correta? Vamos desvendar o universo dos traumatismos dentários e explicar como o tempo e o preparo podem ser a chave para salvar seu sorriso.
Afinal, o que é um trauma dentário e como ele acontece?
Um trauma dentário é qualquer lesão que afeta os dentes, os tecidos de suporte (gengiva, osso) ou a mucosa bucal, decorrente de uma força externa. A gravidade varia desde uma pequena fratura no esmalte até a perda total do dente.
O Dr. José Antônio Rios, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial e especialista em Periodontia, que assina o Crool by Rios, explica a complexidade dessas lesões:
“O trauma dentário não é só a perda. É um espectro de lesões que exige um olhar especializado. Nosso objetivo, em qualquer emergência, é minimizar o dano e buscar a solução mais conservadora possível para o paciente.”
Tipos comuns de traumas dentários
Os traumas são classificados de acordo com a estrutura afetada. Conhecer os tipos ajuda a entender a urgência:
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Avulsão dentária: É a perda total e completa do dente para fora da sua cavidade óssea (alvéolo). É a situação mais crítica e onde o tempo e a conservação do dente traumatizado guardado em leite são decisivos.
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Intrusão dentária: O dente é empurrado para dentro do osso alveolar, ficando “escondido” ou muito afundado. Exige acompanhamento e, em alguns casos, tratamento ortodôntico ou cirúrgico para reposicionamento.
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Subluxação: O dente fica mole (com mobilidade), mas não sai do alvéolo. Geralmente há sangramento na gengiva e o ligamento periodontal sofreu dano.
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Fraturas: Variações que vão desde uma pequena lasca (fratura de esmalte) até a fratura completa da coroa e/ou da raiz do dente.
Conservando o dente traumatizado para o reimplante
A avulsão dentária é a única situação em que o reimplante é possível. Mas o sucesso dessa cirurgia depende da condição do dente após o trauma. E é aqui que o leite entra como um herói improvável.
O meio de transporte ideal
Pode guardar dente no leite? A resposta é um enfático sim!
Desde a década de 1980, estudos experimentais demonstram que o leite é um ambiente propício para a manutenção de dentes avulsionados. Uma pesquisa divulgada pela UFMG reforça essa orientação, que hoje é protocolo internacional em emergências odontológicas.
Como o leite age?
Pois bem, o segredo está no pH e na osmolaridade do leite. O leite (principalmente o integral) possui um pH e uma pressão osmótica que são mais compatíveis com o ambiente celular da boca do que a água.
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Preservação celular: Ao cair, o dente traz consigo as células do ligamento periodontal (células que unem a raiz ao osso). Essas células são extremamente sensíveis à desidratação. O leite ajuda a nutri-las e mantê-las vivas.
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Menos inchaço: Se essas células incharem demais (o que acontece em contato com a água, por exemplo), elas morrem, e o reimplante tem poucas chances de sucesso. O leite previne esse inchaço.
Manter o dente traumatizado guardado em leite pode estender o tempo em que o reimplante é viável, idealmente até 6 horas, mas o objetivo é buscar atendimento imediatamente.
Como funciona o reimplante dentário?
O reimplante é o procedimento cirúrgico onde o dente avulsionado é cuidadosamente recolocado em seu alvéolo ósseo. O procedimento é realizado com máxima precisão. O Dr. José Antônio Rios explica:
“O reimplante é uma corrida contra o relógio. Primeiro, limpamos o dente e o alvéolo, evitando curetagem excessiva para não danificar as células remanescentes. Depois, recolocamos o dente com a angulação correta e o fixamos (esplintagem) aos dentes vizinhos com um material flexível, como uma tala. Essa tala permanecerá por um período de 7 a 14 dias para que o ligamento periodontal se reconecte.”
O sucesso do reimplante é medido pela permanência do dente na boca e pela ausência de problemas como reabsorção radicular (o corpo “rejeita” a raiz) ou infecção. O acompanhamento é obrigatório e envolve tratamento de canal (endodontia) para o dente reimplantado, geralmente realizado 7 a 10 dias após o trauma.
O que fazer em caso de avulsão
Assim como mencionamos acima, o tempo é crucial. Então, seguir este protocolo imediatamente pode salvar o sorriso.
1. Encontre e limpe o dente
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Pegue o dente pela coroa (a parte branca que fica visível na boca), nunca pela raiz. Tocar na raiz pode danificar as células vitais.
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Se estiver sujo, lave-o suavemente com soro fisiológico ou água corrente por não mais que 10 segundos.
2. A tentativa de reimplante imediato (Se a pessoa estiver consciente)
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Se a pessoa for um adulto ou adolescente calmo, e o dente for permanente, o ideal é tentar reposicioná-lo imediatamente no alvéolo. O paciente morde uma gaze ou lenço para mantê-lo no lugar.
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Atenção: Em crianças com dentes de leite, NUNCA se deve reimplantar para não lesionar o dente permanente que está em formação.
3. Se não for possível o reimplante, guarde-o corretamente
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Se não for possível recolocar o dente na boca, mantenha-o úmido em um dos seguintes meios, em ordem de prioridade:
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Leite integral ou desnatado (Opção mais segura): O dente traumatizado guardado em leite é o melhor meio de conservação.
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Soro fisiológico (Solução de farmácia).
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Saliva (Colocar o dente na boca do paciente, sob a língua ou na bochecha): Apenas se o paciente for cooperativo e não houver risco de engolir ou aspirar.
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4. Procure um atendimento odontológico de urgência
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Vá IMEDIATAMENTE a um serviço de urgência odontológica. O tempo ideal para o reimplante é de até 1 hora após o trauma.
As consequências de um trauma dentário
As consequências de um traumatismo dentário não são apenas estéticas. A perda ou o comprometimento de um dente pode afetar profundamente a vida do paciente em três esferas:
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Fisiológica e funcional: Dificuldade na mastigação e na fala, podendo levar a problemas nutricionais ou a vícios de linguagem.
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Psicossocial: A perda de um dente frontal, especialmente em adolescentes, causa um impacto enorme na autoestima, na segurança e na socialização. A vergonha de sorrir ou falar pode levar ao isolamento.
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Financeira: O tratamento de um dente traumatizado, que pode envolver reimplante, endodontia, e restaurações futuras, exige um investimento contínuo em acompanhamento e cuidado.
Segundo o Dr. Rios, no Crool by Rios, reconhecemos a complexidade e a urgência dessas situações. Um dente reimplantado exige acompanhamento periódico para monitorar a saúde do osso e da raiz, e nós garantimos esse cuidado integral.
Não perca tempo, busque ajuda
A informação é o seu primeiro e mais importante ‘kit de primeiros socorros’. Saber que o dente traumatizado guardado em leite pode ser a diferença entre salvar e perder um dente é um conhecimento que todos devem ter.
Em caso de trauma, a regra de ouro é: Aja rápido, conserve corretamente e procure um especialista sem demora.
