Mulher latina em um marcado de frutas mordendo uma maçã.

O alerta da ciência sobre as doenças bucais mais comuns na América Latina

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Uma notícia recente veiculada pelo portal G1 acendeu um alerta vermelho para a saúde pública, em especial para as doenças bucais mais comuns na América Latina. Estamos falando da cárie, gengivite e edentulismo (perda de dentes). Embora o universo da odontologia pareça, às vezes, um nicho isolado, a ciência sempre encontra uma forma de comprovar que os problemas da boca não ficam apenas na boca.

Dito isso, as doenças bucais mais comuns superam males amplamente discutidos, como as doenças cardiovasculares e os transtornos metabólicos. O dado impressiona porque a imensa maioria dessas condições poderia ser evitada com orientações básicas de higiene e prevenção acessível.

Abaixo, detalhamos os dados desse mapeamento histórico. Além disso, explicamos como essas condições evoluem ao longo da vida e o que você precisa fazer para garantir um sorriso funcional na terceira idade.

Três décadas de um desafio silencioso

As condições que afetam a boca ocupam a posição de problema de saúde mais frequente em nosso continente há pelo menos três décadas. Em 2023, as cáries, a doença gengival avançada (periodontite) e a perda total de elementos dentários afetaram impressionantes 308,2 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe. Esses dados superam os registros de qualquer outra enfermidade catalogada na região.

Essa radiografia detalhada faz parte do renomado Estudo de Carga Global de Doenças (GBD, na sigla em inglês). O levantamento foi conduzido pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, contando com o financiamento da Fundação Gates. O artigo científico foi publicado na prestigiosa revista The Lancet Regional Health – Americas, reunindo estimativas coletadas em 33 países entre os anos de 1990 e 2023, além de desenhar projeções preocupantes para 2050.

A análise foi coordenada pelo epidemiologista Rafael Lozano e contou com a colaboração ativa de pesquisadores brasileiros. No último ano analisado, as patologias orais responderam por 53,7% de todos os casos de doenças em curso na região. Em outras palavras, isso significa que mais da metade da população sofria com algum problema bucal ativo. Quando avaliamos o surgimento de novos casos anuais, essas condições ficaram em terceiro lugar. Elas perderam apenas para as infecções das vias aéreas superiores e para a Covid-19. Antes da pandemia, contudo, ocupavam a segunda colocação isolada.

Apesar de uma redução discreta no aparecimento de novos casos ao longo dos anos, a prevalência e a incapacidade geradas por esses problemas permaneceram praticamente estagnadas desde 1990. Para os autores do estudo, essa estabilidade incômoda reflete o alcance limitado das estratégias preventivas tradicionais. Indica também o papel secundário que as políticas públicas destinam à saúde bucal em nosso continente.

Como a doença se rransforma com a idade

O estudo da The Lancet traz uma perspectiva fundamental para o planejamento clínico: as doenças bucais mais comuns não são estáticas. Na verdade, elas se transformam e mudam de face conforme envelhecemos.

Cada fase da vida apresenta um desafio prevalente:

    • Na infância: Predominam de forma absoluta as cáries nos dentes de leite (decíduos). O índice atinge o seu pico epidemiológico entre os 5 e os 9 anos de idade.

    • Na juventude e vida adulta: As cáries nos dentes permanentes assumem a liderança estatística. Elas se tornam mais frequentes e severas por volta dos 40 aos 44 anos.

    • Nas faixas etárias mais maduras: O cenário muda drasticamente. Ganham um peso esmagador a periodontite grave (estágio avançado da inflamação gengival que destrói o osso de suporte) e o edentulismo, que é o termo técnico para a perda total dos dentes naturais.

Essa transição tem um impacto devastador e direto na qualidade de vida das pessoas. Então, para medir essa perda de bem-estar, os cientistas utilizaram o indicador conhecido como Anos Vividos com Incapacidade (AVI). Esse índice estima o tempo que um indivíduo passa convivendo com as limitações físicas, nutricionais e psicológicas de uma enfermidade.

Enquanto as cáries na infância quase não pesam nessa balança socioeconômica, o edentulismo se transforma no principal vilão da qualidade de vida dos idosos. Sozinha, a perda total de dentes foi responsável por 1,3 milhão dos 2,41 milhões de AVIs registrados em 2023. Isso representa mais da metade de todo o impacto incapacitante causado pelas doenças orais na América Latina.

O Brasil no tabuleiro latino-americano

A carga das patologias orais varia de forma considerável entre os países, funcionando como um espelho das desigualdades socioeconômicas estruturais da nossa região. Na avaliação da infância (1 a 9 anos), as maiores taxas de incapacidade decorrentes de cáries em dentes de leite foram registradas no Paraguai e em Belize. Por outro lado, o Brasil e a Colômbia figuraram com os menores índices de impacto nessa faixa etária específica.

No período acumulado entre 1990 e 2023, nações como Chile, Argentina e Uruguai obtiveram reduções reais superiores a 15% nas taxas de problemas em dentes permanentes. Infelizmente, locais como México, Paraguai e diversos países da América Central praticamente não avançaram nesse quesito. No recorte dos dentes permanentes, os índices mais severos de incapacidade concentraram-se no Chile, na Bolívia e no Equador — exibindo quase o dobro dos valores registrados no México.

A periodontite grave mostrou-se mais incapacitante em Porto Rico, Bermudas e Uruguai, alcançando o dobro da taxa observada em Honduras e na Guatemala. A maioria esmagadora dos territórios analisados registrou um aumento de 25% ou mais na incidência dessa doença gengival desde a década de 1990.

No quesito edentulismo, a situação brasileira é delicada. O Brasil aparece entre as nações mais afetadas do continente. As maiores taxas de incapacidade por perda dentária em idosos de 60 anos ou mais foram documentadas na Bolívia, no Peru e no próprio Brasil. Inversamente, Chile e Colômbia apresentaram os menores índices de perda total, conquistando reduções superiores a 15% ao longo do período analisado.

O paradoxo do desenvolvimento e os limites do flúor

Um padrão específico chamou a atenção dos pesquisadores durante o cruzamento de dados: os países com maior desenvolvimento econômico tendem a registrar taxas menores de edentulismo (perda total), porém apresentam índices mais elevados de incapacidade associada à periodontite grave.

Esse fenômeno acontece por um motivo lógico: como as medidas de saúde nesses locais evoluíram, mais pessoas conseguem chegar à terceira idade preservando seus dentes naturais. Consequentemente, esses dentes continuam na boca e ficam expostos por mais tempo ao risco de desenvolverem doenças na gengiva e nas estruturas de suporte ósseo.

A persistência generalizada desses problemas está atrelada ao acesso real a insumos básicos de prevenção. Onde o creme dental fluoretado é barato e a consulta odontológica preventiva de rotina é acessível, a carga estatística da doença recua. Países como o Brasil, Chile, México e Colômbia já cobrem a maior parte de suas populações com o flúor distribuído estrategicamente na água tratada, no sal de cozinha ou nos cremes dentais. Essa ação governamental em massa explica a eficiência no controle das cáries infantis.

No entanto, a carga epidemiológica entre os adultos continua excessivamente alta. De acordo com os cientistas, isso evidencia as limitações de focar os esforços públicos exclusivamente na fluoretação. Acaba-se deixando em segundo plano fatores cruciais como o padrão de alimentação (alto consumo de açúcares), o tabagismo crônico e o acesso a tratamentos de reabilitação. Tais lacunas assistenciais tornam-se ainda mais evidentes nas populações rurais, comunidades indígenas e grupos socialmente excluídos.

Vale destacar que o Brasil é citado positivamente no artigo internacional como um dos raros países da região — ao lado da Colômbia — a manter um monitoramento epidemiológico sistemático e regular da saúde bucal da sua população. Na maior parte do continente, esse acompanhamento ainda é escasso e fragmentado, o que dificulta o desenho de políticas integradas.

O impacto sistêmico e a regra dos 8020

As consequências da negligência com a saúde oral vão muito além da cavidade bucal. Para compreender a gravidade desse cenário, conversamos com o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico, Mestre e Doutor em Implantodontia.

“Muitas pessoas ainda enxergam a boca de forma isolada, mas a odontologia moderna já consolidou o entendimento de que a saúde bucal dita os rumos da saúde sistêmica do indivíduo. A periodontite avançada, por exemplo, é uma ferida inflamatória aberta na gengiva. Ela permite que bactérias patogênicas entrem diretamente na corrente sanguínea”, explica o Dr. Frederico Coelho.

O especialista ressalta que essa migração bacteriana (bacteremia) pode agravar quadros clínicos complexos, como:

  • Doenças cardiovasculares (endocardite bacteriana e aumento do risco de infarto).

  • Dificuldade crônica no controle glicêmico em pacientes portadores de diabetes.

  • Complicações gestacionais, incluindo partos prematuros e bebês com baixo peso ao nascer.

O impacto do edentulismo e a importância de preservar os elementos naturais

A perda dentária compromete severamente a capacidade mastigatória do indivíduo. Isso gera um efeito cascata na nutrição, pois restringe o consumo de alimentos ricos em fibras e nutrientes mais sólidos. Além do fator puramente físico e biológico, a ausência dos dentes afeta a fonação, prejudica a autoestima e pode induzir o paciente ao isolamento social e a quadros depressivos.

Para combater esse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e as principais entidades odontológicas globais defendem a chamada Regra dos 8020. O objetivo dessa meta é conscientizar a população para que os indivíduos consigam chegar aos 80 anos de idade mantendo, no mínimo, 20 dentes naturais funcionais na boca. Com 20 dentes distribuídos de forma estratégica, o ser humano preserva a capacidade de mastigar, falar e se alimentar corretamente, sem depender obrigatoriamente de próteses totais removíveis.

Desafios da saúde bucal até 2050

As expectativas dos pesquisadores para o futuro próximo reforçam a urgência de uma mudança de postura. O envelhecimento acelerado da população latino-americana deve expandir de forma expressiva e inevitável o número de pessoas convivendo com incapacidades ligadas à saúde bucal nas próximas décadas.

Entre os anos de 1990 e 2023, os anos vividos com incapacidade (AVIs) na região quase dobraram. Eles saltaram de 1,02 milhão para 2,41 milhões. As projeções estatísticas indicam que esse indicador alcançará a marca de 3,81 milhões de anos de incapacidade em 2050. O edentulismo e a periodontite grave figuram como os grandes responsáveis por essa projeção.

Para mudar essa rota e evitar o colapso do bem-estar na velhice, os autores do estudo defendem uma reestruturação em três pilares fundamentais:

[Saúde bucal na atenção primária] ➔ Incorporação obrigatória nas consultas de rotina do SUS e planos.
[Cobertura universal de saúde]    ➔ Garantia de acesso a tratamentos reabilitadores e implantes.
[Enfrentamento de determinantes]  ➔ Taxação de bebidas açucaradas e combate ao tabagismo.

Essa abordagem multidisciplinar deve acompanhar o indivíduo em todas as fases da vida, desde a infância até a velhice, tratando a saúde de forma contínua e integral.

O cuidado que transforma gerações no Crool By Rios

Assim como vimos, os dados da ciência reforçam que cuidar do sorriso não é uma questão de vaidade ou estética passageira. Trata-se de um componente vital da sua saúde global e do seu planejamento de longevidade. No Crool By Rios, nós reconhecemos a complexidade e a profundidade da relação entre o corpo e a boca. Nossos profissionais são treinados sob a filosofia da escuta generosa. Estamos preparados para identificar manifestações bucais que sinalizam desequilíbrios sistêmicos e guiar o paciente rumo a uma abordagem preventiva integral.

Seja no acompanhamento preventivo das crianças para evitar o surgimento precoce de cáries, no tratamento e controle da periodontite no adulto, ou na reabilitação avançada com implantes de alta tecnologia para combater o edentulismo, o Crool é o ambiente ideal para cuidar do seu sorriso em todas as etapas do desenvolvimento. Invista na sua qualidade de vida e assegure um futuro saudável. Cuidado odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

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